Quaest revela movimento de voto útil à direita em favor de Flávio Bolsonaro
Pesquisa Quaest detecta migração de eleitores das candidaturas de direita para Flávio Bolsonaro. Confira análise de Felipe Nunes sobre voto útil.
Análise da Pesquisa Quaest: O Fenômeno do Voto Útil à Direita
A pesquisa Quaest divulgada no sábado (3) de outubro revelou um padrão significativo no comportamento eleitoral: um expressivo movimento de voto útil Flávio Bolsonaro entre candidatos de outras chapas de direita. De acordo com Felipe Nunes, diretor da consultoria e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa dinâmica tem alterado substancialmente o cenário da disputa presidencial.
Nunes explicou à Central das Eleições, programa da GloboNews, a natureza desse fenômeno: "É verdade que Lula até oscila um ponto, mas o movimento que a gente captura é um movimento de voto útil de direita". A observação do especialista revela como eleitores de candidaturas menores estão consolidando suas escolhas em torno de nomes com maior viabilidade eleitoral.
Os Números da Pesquisa Quaest
Conforme apresentado no levantamento, considerando apenas votos válidos, o cenário apresenta grande proximidade entre os principais candidatos. Lula (PT) aparece com 46% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro soma 45%, caracterizando uma situação de empate técnico. Quando avaliados os votos totais, a situação mostra movimento distinto para cada candidato.
Lula registrou aumento de um ponto percentual, passando de 39% para 40% em relação ao levantamento anterior, divulgado na segunda-feira (28). Por sua vez, Flávio Bolsonaro apresentou crescimento mais expressivo, evoluindo de 34% para 38%, demonstrando a força do movimento de voto útil que os analistas apontam.
Candidatos Menores e Seu Papel na Disputa
Segundo a análise de Felipe Nunes, as demais candidaturas que competem pelo eleitorado de direita funcionaram, ao longo do primeiro turno, como um reservatório de eleitores potencialmente migradores. O diretor da Quaest caracterizou essa dinâmica de forma metafórica: "É como se elas tivessem funcionado durante esse primeiro turno como uma caixa d'água de votos, um reservatório de votos à espera desses movimentos".
Os dados coletados ilustram claramente essa transferência de preferências. Entre os eleitores de Renan Santos (Missão), 60% afirmam que votariam em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula. O percentual diminui entre os apoiadores de Ronaldo Caiado (PSD), onde 43% indicam essa preferência, e cai ainda mais entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), com 34% dessa migração potencial.
O Cenário do Segundo Turno Segundo Quaest
A pesquisa também revelou as intenções de voto em um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, Lula alcançaria 42% enquanto Flávio Bolsonaro chegaria aos mesmos 42%, demonstrando a força que o candidato da direita adquiriria após consolidar os votos dessas candidaturas menores.
Essa equiparação nos números do segundo turno, comparada com a vantagem que Lula mantém no primeiro turno, evidencia a importância estratégica do voto útil na definição da eleição presidencial.
Possibilidade de Inversão no Primeiro Turno
Na avaliação de Felipe Nunes, o movimento de migração de votos poderia prosseguir até o dia da votação, alterando potencialmente a ordem de classificação entre os candidatos. Nunes sugeriu que uma intensificação desse processo poderia resultar em Flávio Bolsonaro terminando o primeiro turno numericamente à frente de Lula.
"Então o eleitor está se decidindo e eu não me surpreenderia se a gente visse esse movimento se intensificando amanhã, porque o movimento de voto útil da direita agora ele é, eu diria, muito decisivo. Ele é muito forte, né? Eu acho que há elementos para dizer, inclusive, que amanhã nas urnas a gente pode ver um movimento de Flávio, inclusive à frente de Lula, se esse contingente de eleitores de alternativas decidir dessa forma", afirmou o diretor da Quaest.
Sustentação do Cenário de Dois Turnos
Apesar da possibilidade levantada, Nunes ponderou que o volume de eleitores das candidaturas alternativas que afirmam ter decidido seus votos é grande o suficiente para sustentar a expectativa de que a eleição presidencial seja resolvida em dois turnos.
A pesquisa constatou que 75% dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 68% dos de Augusto Cury (Avante) e 66% dos de Renan Santos (Missão) afirmam que sua escolha para o primeiro turno é definitiva. Entre os eleitores de Lula, esse percentual sobe a 92%, enquanto entre os de Flávio Bolsonaro alcança 89%, indicando alta consolidação de voto nesses dois campos.
Intenções de Voto no Primeiro Turno
Os números totais da pesquisa Quaest apresentam o seguinte quadro de intenções de voto: Lula (PT) com 40%, uma variação positiva de um ponto em relação à rodada anterior; Flávio Bolsonaro (PL) com 38%, crescimento de quatro pontos; Ronaldo Caiado (PSD) com 3%, redução de um ponto; Augusto Cury (Avante) também com 3%, em queda de um ponto; Renan Santos (Missão) mantendo 3%; eleitores indecisos reduzindo de 5% para 3%; e votos em branco, nulo ou abstenções permanecendo em 10%.
Metodologia e Confiabilidade da Pesquisa
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouvindo 3.702 eleitores de 16 anos ou mais durante os dias 2 e 3 de outubro. A margem de erro calculada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-02197/2026, conferindo transparência e rastreabilidade aos dados apresentados.
Essa análise do especialista Felipe Nunes sobre o voto útil Flávio Bolsonaro oferece insights importantes sobre como o comportamento estratégico dos eleitores pode moldar resultados eleitorais, particularmente quando candidatos menores funcionam como catalisadores para reordenações nas preferências do eleitorado.
