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Vendas de smartphones caem 11% em 2025 por crise de chips de memória

Remessas globais de smartphones atingem menor nível em 13 anos. Apple sobe a 20% de participação, enquanto Samsung lidera com 24%. Escassez de chips pressiona p...

Vendas de smartphones caem 11% em 2025 por crise de chips de memória
Fonte: g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/07/13/vendas-globais-de-smartphones-caem-ao-menor-nivel-em-13-anos.ghtml

Vendas de smartphones atingem pior desempenho em mais de uma década

As vendas de smartphones registraram uma queda significativa no segundo trimestre de 2025, refletindo os desafios enfrentados pela indústria de tecnologia móvel. Segundo dados preliminares da Counterpoint Research, as remessas globais de smartphones caíram 11%, atingindo o menor patamar desde 2013. Este cenário crítico evidencia o impacto profundo da escassez prolongada de chips de memória, que tem pressionado toda a cadeia produtiva do setor.

A crise nas vendas de smartphones representa um ponto de inflexão para o mercado, que enfrentava perspectivas otimistas no início do ano. A escassez de chips de memória emergiu como o principal fator responsável pela desaceleração, criando um efeito dominó que afeta fabricantes de diferentes segmentos. Os fornecedores de componentes, priorizando clientes de data centers focados em inteligência artificial, reduziram significativamente o fornecimento para a indústria de eletrônicos de consumo.

Apple contracorrente com crescimento de 3%

Enquanto o mercado global de smartphones enfrentava uma contração acentuada, a Apple conseguiu navegar pela crise com relativo sucesso. A empresa registrou um aumento de 3% em suas remessas no segundo trimestre, um feito notável considerando o contexto adverso. Esta performance permitiu que a marca americana expandisse sua participação no mercado global para um recorde de 20%, consolidando sua posição como um dos principais players do setor.

O sucesso da Apple pode ser atribuído à demanda resiliente por seus produtos premium, especialmente a linha iPhone 17, que mantém forte apelo junto aos consumidores de alta renda. A estratégia de manutenção de preços, mesmo diante dos aumentos de custos de componentes, refletiu a força de marca e a lealdade dos clientes. No entanto, analistas alertam que a Apple pode ser forçada a aumentar os preços nos próximos meses, acompanhando tendências do mercado.

Samsung recupera liderança com 24% de participação

A Samsung emergiu como líder indiscutível do mercado de smartphones no período analisado, alcançando uma participação de mercado de 24%. Esta posição foi consolidada através de estratégias comerciais inteligentes, incluindo melhor disponibilidade de produtos e menores aumentos de preços em mercados estratégicos como Índia e Oriente Médio. A linha Galaxy S26 respondeu pelas fortes vendas da empresa sul-coreana.

O desempenho da Samsung demonstra como a flexibilidade na estratégia de precificação e a disponibilidade de estoque podem ser vantagens competitivas significativas em períodos de crise. Enquanto concorrentes enfrentavam dificuldades em manter estoques adequados, a Samsung conseguiu abastecer seus canais de distribuição de forma mais consistente, capturando parcelas importantes de mercado.

Xiaomi, Oppo e Vivo enfrentam maiores desafios

Entre os cinco principais fabricantes globais de smartphones, as empresas Xiaomi, Oppo e Vivo registraram as quedas mais pronunciadas em suas remessas. Esta situação reflete sua maior exposição aos segmentos de entrada e intermediários, justamente onde os efeitos da escassez de chips de memória e dos aumentos de preços são mais severos. Consumidores de menor poder aquisitivo tendem a ser mais sensíveis a variações de preço, reduzindo suas compras quando os custos sobem.

Os fabricantes chineses, que construíram suas trajetórias oferecendo bom custo-benefício, viram sua proposta de valor comprometida pela necessidade de repassar aos consumidores o aumento dos custos de componentes. Esta dinâmica foi particularmente prejudicial para marcas que dependem fortemente do mercado de entrada para manter seus volumes de vendas.

Perspectivas pessimistas para 2025 e além

A Counterpoint Research mantém uma projeção bastante conservadora para o desempenho do mercado de smartphones ao longo de 2025, estimando uma queda de aproximadamente 14% nas remessas globais. Mais preocupante ainda é a perspectiva de que a escassez de chips de memória provavelmente se estenderá até 2027, sugerindo que os desafios da indústria permanecerão por tempo indeterminado.

Esta prolongada crise de abastecimento está forçando os fabricantes a tomar decisões estratégicas difíceis sobre quando e como aumentar os preços dos smartphones. Os fornecedores de memória continuam priorizando os clientes de data centers e de tecnologia de inteligência artificial, setores que oferecem margens mais altas e crescimento mais robusto. Este desequilíbrio na alocação de componentes coloca a indústria de eletrônicos de consumo em posição desvantajosa.

Impacto nos preços e estratégias de mercado

Os preços da memória continuam sua trajetória ascendente, criando pressão inflacionária que se transmite aos consumidores finais. Os fabricantes de smartphones, particularmente aqueles que atuam nos segmentos de entrada e intermediários, enfrentam o dilema de manter competitividade de preços ou proteger suas margens de lucro. A maioria tem optado por repassar parcialmente os aumentos de custos ao consumidor.

Este cenário de pressão inflacionária tende a reduzir o volume total de vendas, criando um círculo vicioso onde menores vendas significam piores economias de escala e custos unitários ainda mais elevados. As empresas com maior capacidade de inovação e diferenciação de produto, como a Apple, conseguem manter demanda mesmo com preços elevados. Já as marcas que concorrem primariamente em preço enfrentam dificuldades crescentes.

Conclusão

O mercado global de smartphones enfrenta sua pior crise em mais de uma década, com a escassez de chips de memória criando condições desafiadoras para a maioria dos fabricantes. Enquanto a Apple e Samsung conseguem manter posições fortes através de estratégias diferenciadas, empresas como Xiaomi, Oppo e Vivo enfrentam pressões significativas. A perspectiva de que estes desafios se estenderão até 2027 sugere que a indústria de smartphones entrará em um novo normal de menor crescimento e margens comprimidas.

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