iPhone no Brasil agora aceita lojas de apps rivais
Apple e Cade chegam a acordo permitindo lojas de apps rivais e pagamentos de terceiros no iPhone. Saiba quais são as mudanças e como funciona a nova política.

Nova era para o iPhone no Brasil com lojas de aplicativos alternativas
A partir de agora, proprietários de iPhone no Brasil podem finalmente acessar lojas de apps rivais e utilizar sistemas de pagamento de terceiros em seus dispositivos. Esta transformação no ecossistema da Apple iniciou-se nesta quinta-feira (18) e representa o resultado de um acordo histórico entre a fabricante de tecnologia e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), após intensas negociações que duraram meses.
O acordo marca um ponto de inflexão nas políticas comerciais da Apple no país, que até então mantinha controle exclusivo sobre a distribuição de aplicativos e métodos de pagamento através da App Store. A decisão reflete crescentes pressões regulatórias globais sobre práticas comerciais consideradas restritivas por órgãos de defesa da concorrência.
O que muda na prática para usuários brasileiros
A partir desta atualização, os proprietários de iPhones ganham liberdade significativa em suas escolhas de consumo. Será possível adquirir e fazer download de aplicativos por meio de lojas de apps rivais, expandindo assim as opções disponíveis além da plataforma oficial. Quando usuários realizam compras ou contratam assinaturas de aplicativos, podem agora optar por formas de pagamento diferentes da infraestrutura Apple, oferecendo maior flexibilidade financeira.
Uma característica importante da implementação é a apresentação lado a lado das opções de pagamento. Os usuários visualizarão tanto o método proprietário da Apple quanto as alternativas de terceiros, permitindo uma escolha consciente e informada em cada transação.
Para usufruir destes benefícios, é necessário atualizar o dispositivo para o iOS 26.5. Usuários podem verificar a disponibilidade da atualização acessando "Ajustes", depois "Geral" e finalmente "Atualização de Software". O processo de instalação é simples e pode ser realizado em poucos minutos.
Medidas de segurança implementadas pela Apple
A Apple sempre expressou preocupações legítimas sobre segurança e privacidade ao longo deste processo regulatório. A empresa trabalhou intensamente para mitigar potenciais riscos associados às mudanças, criando um conjunto robusto de proteções destinadas a preservar a experiência do usuário.
Em comunicado oficial, a companhia ressaltou seu compromisso: "A Apple trabalhou para reduzir os novos riscos à privacidade e à segurança que essas alterações criam, oferecendo aos usuários no Brasil a melhor e mais segura experiência possível". Especificamente, foram implementadas salvaguardas dirigidas a proteger usuários mais jovens de potenciais ameaças.
O sistema inclui autenticação de aplicativos iOS, um processo obrigatório de autorização para lojas de apps rivais, além de requisitos específicos para proteger crianças de conteúdo inadequado e fraudes eletrônicas. Apesar dessas proteções, a Apple mantém sua posição de que a App Store oferece níveis superiores de segurança.
As lojas alternativas de aplicativos precisarão obter autorização expressa da Apple e cumprir requisitos definidos pela própria companhia para operar no mercado brasileiro. Este sistema de aprovação funciona como filtro adicional para garantir conformidade com padrões mínimos de segurança.
Estrutura de comissões e taxas para desenvolvedores
Apesar da abertura do ecossistema, a Apple continuará auferindo receitas através de comissões sobre transações de bens e serviços digitais realizadas no Brasil. Os percentuais variam conforme o canal de distribuição escolhido pelo desenvolvedor.
Para aplicativos distribuídos exclusivamente pela App Store, a comissão padrão será de 21% sobre vendas. Desenvolvedoras de pequenas empresas e aquelas com assinaturas após o primeiro ano poderão beneficiar-se de uma taxa reduzida de 10%. Se o desenvolvedor utilizar adicionalmente o sistema de compras proprietário Apple, pagará uma taxa adicional de 5%.
Quando a comercialização ocorre através de websites vinculados aos aplicativos, uma comissão de 15% será cobrada. Para desenvolvedores qualificados para condições reduzidas, a taxa diminui para 10%. No caso de aplicativos distribuídos exclusivamente fora da App Store, a comissão se reduz a 5% sobre vendas de bens e serviços digitais, incluindo aplicativos pagos.
A Apple afirma que esses novos valores garantem que desenvolvedores pagarão o mesmo ou menos do que pagavam anteriormente. Desenvolvedores que não comercializam bens ou serviços digitais permanecerão isentos de qualquer comissão ou taxa cobrada pela companhia.
Precedente europeu e tendências globais
A mudança no Brasil segue padrão semelhante ao implementado na União Europeia, onde reguladores obrigaram a Apple a permitir maior flexibilidade no ecossistema iOS. Na Europa, desenvolvedores enfrentavam comissões de até 30% por cada transação realizada através do sistema de pagamentos Apple.
Estas decisões refletem movimento global crescente de órgãos reguladores contra práticas consideradas monopolísticas por grandes plataformas tecnológicas. Tanto na Europa quanto no Brasil, autoridades de concorrência identificaram restrições injustificadas no acesso a sistemas de distribuição e pagamento.
Histórico do processo administrativo no Cade
O caminho até este acordo foi longo e complexo. A investigação iniciou-se em dezembro de 2022, após uma denúncia formal do Mercado Livre que apontava possível abuso de posição dominante pela Apple na distribuição de aplicativos para iPhone.
Em novembro de 2024, a Superintendência-Geral do Cade formalizou um processo administrativo e implementou uma medida preventiva que obrigava a Apple a permitir que desenvolvedores e usuários escolhessem sistemas alternativos de pagamento. Em maio de 2025, o Tribunal do Cade analisou um recurso apresentado pela empresa, mas manteve a medida preventiva em vigor.
A Superintendência-Geral recomendou a condenação formal da Apple em junho de 2025, após apuração revelar um conjunto de ações restritivas ligadas à venda de conteúdos digitais no ecossistema proprietário. Em julho de 2025, a Apple iniciou negociações de acordo, levando à suspensão do prazo para cumprimento da medida preventiva.
O acordo foi finalmente aprovado em dezembro de 2025, após meses de negociações intensas. Como parte do acordo, a Apple encerrou processo judicial que buscava anular a medida preventiva do Cade. Em caso de descumprimento total do acordo, a empresa enfrenta multa de até R$ 150 milhões, além da possibilidade de retomada da investigação e das medidas preventivas.
Implicações futuras do acordo
Este acordo representa marco importante na evolução regulatória de plataformas digitais no Brasil. Estabelece precedente para outras possíveis investigações contra empresas de tecnologia que mantêm práticas restritivas em seus ecossistemas.
Para consumidores brasileiros, as mudanças significam maior poder de escolha e potencial para menores custos, caso desenvolvedoras optem por transferir benefícios das comissões reduzidas. Para a indústria de desenvolvimento de aplicativos, abre-se oportunidade de diversificação de canais de distribuição e negociação de condições comerciais mais favoráveis.
