Indústria audiovisual reúne-se na República Dominicana
AIR celebra 80 anos com cúpula na República Dominicana discutindo o futuro da produção audiovisual nas Américas e desafios digitais.

Cúpula da Indústria Audiovisual reúne líderes em Santo Domingo
A indústria audiovisual República Dominicana torna-se palco de um encontro estratégico que marca um momento decisivo para o setor nas Américas. Representantes de emissoras de rádio e televisão, produtores de conteúdo e operadoras de TV paga convergem em Santo Domingo para dialogar sobre as transformações que redefinirão a produção audiovisual nos próximos anos.
O evento, realizado entre terça e quarta-feira, funciona como plataforma de discussão sobre temas fundamentais para a sustentabilidade dos negócios na região. A indústria audiovisual República Dominicana hospeda a Cúpula da Indústria Audiovisual das Américas, um encontro que transcende fronteiras nacionais e busca estabelecer diretrizes comuns para os desafios contemporâneos.
AIR celebra oito décadas de representação
A Associação Internacional de Radiodifusão marca seus 80 anos de atuação permanente em defesa da liberdade de expressão e da radiodifusão livre, privada e independente. Desde sua fundação em 1946, a organização acompanha as transformações tecnológicas, sociais e econômicas das Américas, representando aproximadamente 17 mil emissoras comerciais de rádio e televisão distribuídas pela América do Norte, América Central e América do Sul.
A liderança da instituição recai sobre Paulo Tonet Camargo, que assume a presidência desde 2023 como vice-presidente institucional da ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo. Sua gestão representa um compromisso renovado com a defesa dos interesses da radiodifusão continental.
Pilares estratégicos para o futuro
Tonet apresenta a base tripartida sobre a qual a AIR estrutura seu futuro: liberdade, responsabilidade e sustentabilidade. A liberdade de expressão constitui o fundamento existencial da organização, enquanto a responsabilidade reflete-se nos conteúdos de informação e entretenimento distribuídos. A sustentabilidade, por sua vez, garante que a indústria possa continuar fornecendo esses serviços às sociedades onde atua.
"A AIR assenta o seu futuro em três bases: liberdade, porque a liberdade de expressão é a nossa base de existência; responsabilidade, porque temos responsabilidade sobre os conteúdos de informação e entretenimento que distribuímos; e sustentabilidade, porque a indústria, para poder fornecer tudo isso às sociedades onde trabalhamos, precisa ser sustentável", afirma o presidente.
Sinergia continental contra desafios únicos
Tonet enfatiza a necessidade de somar esforços em um grande fórum para debater questões fundamentais ao desenvolvimento dos negócios na região. Segundo ele, a adoção coordenada de modelos tecnológicos, métricas de audiência, medidas de proeminência e estratégias de combate à pirataria constituem iniciativas que demandam abordagem continental.
"Reunir as três Américas para discutir os grandes temas da indústria audiovisual é realmente importante, porque a adoção de modelos tecnológicos de métricas de audiência, de proeminência e de combate à pirataria é algo que precisamos fazer de maneira continental. Nenhum país, nenhuma empresa, consegue fazer isso isoladamente", destaca.
Pautas em discussão na cúpula
O encontro aborda temáticas críticas que moldarão o setor nos próximos anos. A nova geração de TV conectada emerge como prioridade, enquanto o protagonismo da televisão aberta e o consumo de conteúdo através de dispositivos móveis ganham centralidade nas conversas. Métricas de audiência no ecossistema multiplataforma representam outro foco importante.
A proteção de conteúdos na era digital e o combate à pirataria constituem desafios prementes que exigem respostas coordenadas. A inteligência artificial, como ferramenta transformadora, também integra as discussões, assim como novos desafios emergentes da indústria audiovisual contemporânea.
Liderança brasileira no contexto continental
Flávio Lara Resende, vice-presidente jurídico da AIR e vice-presidente institucional da ABERT, ressalta a importância estratégica do Brasil para o setor audiovisual. O país lidera a produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento nas três Américas, tanto no segmento de rádio quanto de televisão.
"É extremamente importante porque o Brasil lidera nas três Américas a produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento, seja no rádio, seja na televisão. Então, você reunir aqui radiodifusores de diversos países é extremamente importante para que a gente possa ter uma definição do que será o futuro da radiofusão nas três Américas, principalmente na televisão aberta", afirma Resende.
Transformações tecnológicas e sustentabilidade
A acelerada transformação tecnológica, as novas formas de produção e distribuição de conteúdos e o desenvolvimento da inteligência artificial configuram um cenário radicalmente distinto do passado. A concorrência das grandes plataformas digitais, a pirataria persistente e os desafios para sustentar os meios de comunicação tradicionais intensificam a urgência das discussões empreendidas em Santo Domingo.
A AIR reconhece em comunicado oficial que "a acelerada transformação tecnológica, as novas formas de produção e distribuição de conteúdos, o desenvolvimento da IA, a concorrência das grandes plataformas digitais, a pirataria e os desafios para a sustentabilidade dos meios de comunicação configuram um cenário profundamente diferente".
Compromisso renovado com o futuro
Diante das mudanças estruturais que permeiam o setor, a AIR renova seu compromisso de representar e defender a radiodifusão, promovendo as condições necessárias para que os meios de comunicação e criadores de conteúdo possam continuar inovando e crescendo. A organização reafirma seu papel essencial na defesa da função indispensável que a radiodifusão cumpre a serviço da sociedade.
O encontro em Santo Domingo materializa a disposição coletiva da indústria de olhar para o futuro com concepção renovada, reconhecendo que os desafios contemporâneos exigem respostas colaborativas que transcendam interesses individuais ou nacionais, consolidando uma visão compartilhada para a evolução da radiodifusão continental.
