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Receita Federal expede primeiro CNPJ alfanumérico

Receita Federal emite primeiro CNPJ alfanumérico do Brasil. Entenda a nova estrutura com letras e números, impactos e mudanças para empresas a partir de julho.

Receita Federal expede primeiro CNPJ alfanumérico
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Receita Federal emite o primeiro CNPJ alfanumérico do Brasil

Na última sexta-feira, a Receita Federal anunciou um marco importante na modernização do sistema tributário nacional: a emissão do primeiro CNPJ alfanumérico do país. Esse novo modelo de CNPJ alfanumérico representa uma transformação significativa na identificação das pessoas jurídicas brasileiras, expandindo as possibilidades de combinações numéricas através da incorporação de letras ao documento. A primeira inscrição nesse formato inovador foi atribuída a uma filial do Banco do Brasil S.A., que recebeu o número 00.000.000/E08G-12, marcando oficialmente o início dessa transição.

O que é o CNPJ alfanumérico e por que foi necessário

O CNPJ alfanumérico é o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil, mantendo a estrutura de 14 caracteres, porém combinando letras de A a Z com números de 0 a 9. Diferentemente do sistema anterior, que utilizava exclusivamente números, essa nova tipologia permite uma quantidade significativamente maior de combinações possíveis, garantindo a viabilidade do sistema a longo prazo.

De acordo com dados da Receita Federal, o número de combinações disponíveis no modelo atual aproximava-se do limite máximo. Com o crescimento contínuo de empresas e filiais no Brasil, essa limitação representava um risco futuro para a capacidade de emissão de novos CNPJs. A implementação do CNPJ alfanumérico resolve essa questão ao ampliar exponencialmente as possibilidades de inscrição.

Estrutura e composição do novo CNPJ

O novo CNPJ mantém a estrutura visual similar à atual, mas com uma composição que incorpora caracteres alfanuméricos. As 14 posições do documento estão organizadas da seguinte forma:

As oito primeiras posições identificam a raiz do CNPJ, compostas por letras e números alfanuméricos. As quatro posições subsequentes representam a ordem do estabelecimento, também em formato alfanumérico. As duas últimas posições correspondem aos dígitos verificadores, que continuarão sendo exclusivamente numéricas, mantendo assim a compatibilidade com sistemas de validação já existentes.

Quando começou a implementação do CNPJ alfanumérico

A mudança foi autorizada através da Instrução Normativa RFB nº 2.229, publicada pela Receita Federal, entrando em vigor em julho. Contudo, a Receita esclarece que a autorização para uso do novo formato não significa que todos os CNPJs emitidos após essa data receberão automaticamente letras. A implementação será gradual e progressiva, permitindo um período de adaptação para empresas e sistemas.

Desde julho, o Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica passou a adotar essa nova formatação, porém sua utilização ocorre de maneira organizada, sem causas impactos técnicos significativos para a sociedade brasileira.

Quem receberá o CNPJ com letras

Apenas novas inscrições a partir da data de início da implementação receberão o CNPJ alfanumérico. Isso inclui empresas recém-criadas, filiais de instituições já existentes, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais que solicitarem registro pela primeira vez.

O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido indefinidamente. Não será necessário nenhum procedimento adicional ou migração por parte dos contribuintes já inscritos junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais. As empresas existentes não sofrerão qualquer alteração em seus registros.

Impactos nas empresas e adaptações necessárias

Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais, controle tributário e gestão de dados precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas para reconhecer e processar o novo CNPJ alfanumérico. Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares especializados em emissão de documentos fiscais e gerenciamento de informações tributárias.

Sem essas atualizações, podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades na comunicação com fornecedores que utilizem sistemas não adaptados, e possíveis atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. A Receita Federal informou que disponibiliza ferramentas e orientações para facilitar essa atualização técnica necessária.

Mudanças no cálculo do Dígito Verificador

O Dígito Verificador, número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11, uma verificação matemática tradicional. Contudo, esse método foi adaptado para incluir letras no cálculo do novo CNPJ alfanumérico.

Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo. Do valor ASCII, será subtraído 48 para obter o valor utilizado no cálculo. Por exemplo, a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII, e para o cálculo será utilizado 17 (resultado de 65 menos 48). A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa implementação técnica.

Relação com a reforma tributária

O novo CNPJ alfanumérico faz parte de um processo maior de modernização do sistema tributário brasileiro. A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que visam unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.

Para implementação bem-sucedida desses novos tributos, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários.

Procedimentos e ações necessárias

O procedimento para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará exatamente o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras. A partir de julho, todos os sistemas estão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).

Para empresas e profissionais já inscritos, nenhuma ação será necessária junto a órgãos federais, estaduais ou municipais. Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A Receita Federal espera que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas existentes.

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