Durigan nega avaliação de propostas sobre juros
Ministro da Fazenda rejeita discussão sobre tabelamento de Selic e queima de reservas cambiais no governo Lula. Conheça as declarações.

Ministro nega que propostas polêmicas estejam em análise
O titular da Fazenda, Dario Durigan, descartou categoricamente que propostas sobre juros, como o tabelamento da taxa Selic ou a utilização de reservas cambiais para enfrentar possíveis saídas de capitais, estejam sendo avaliadas no primeiro mês do novo governo petista. A declaração surge em resposta à repercussão de informações sobre um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o economista André Lara Resende.
Segundo o ministro, embora diversos economistas se coloquem à disposição para diálogos com a administração federal, não existe qualquer calendário definido para uma reunião específica entre o chefe do Executivo e Resende. Durigan ressaltou que propostas sobre juros não integram a pauta de discussões neste momento, contrariando especulações divulgadas pela imprensa.
Reunião com economista não está agendada
Em declaração ao portal de notícias, Durigan afirmou: "Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente [Lula] e com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende".
O questionamento sobre a possível reunião surgiu após a publicação de reportagem que mencionava esse encontro. A negação do ministro busca afastar rumores que geraram reações negativas nos mercados financeiros nos últimos dias, refletindo a sensibilidade do setor privado em relação a mudanças nas diretrizes econômicas.
Posição de Aloizio Mercadante reforça negativa
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES e figura histórica próxima a Lula, também se pronunciou sobre o assunto. O economista enfatizou que não há qualquer discussão sobre tabelamento de juros no âmbito governamental, nem houve debates sobre o tema durante a campanha eleitoral que levou o petista ao terceiro mandato.
"Não há nenhuma proposta de tabelar juros em discussão, não teve na campanha e não tem no governo. Vamos aguardar o presidente definir a equipe econômica", declarou Mercadante. O gestor ressaltou que o governo Lula mantém como princípio fundamental a transparência e a previsibilidade das medidas econômicas, elementos considerados essenciais para a estabilidade do país.
Mercadante informou ainda que o presidente iniciaria as discussões sobre o novo mandato a partir de terça-feira, após período de repouso no Palácio da Alvorada e na Residência Oficial na Granja do Torto, onde o chefe do Executivo se recompunha fisicamente após a campanha.
O conteúdo das propostas de André Lara Resende
André Lara Resende, um dos principais arquitetos do Plano Real, divulgou em fins de setembro um conjunto de ideias voltadas para reestruturação da relação entre política fiscal e monetária. Seu objetivo central é reduzir significativamente a taxa Selic, que permanecia em 13,75% ao ano, considerada extremamente elevada pelo economista.
A proposta inclui a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional responsável por estabelecer metas para períodos de quatro a cinco anos. Conforme o plano, o Banco Central se comprometeria a manter a taxa básica dentro de um intervalo específico, variando entre a meta de inflação (3,0%) e a taxa de crescimento nominal potencial, estimada em aproximadamente 5,5% anuais.
O economista defende uma redução gradual dos juros ao longo de doze meses, chegando a aproximadamente 7,5% ao ano com um spread de segurança transitório de 2%. Este diferencial seria periodicamente revisado e gradualmente eliminado conforme a estabilidade econômica fosse demonstrada.
Críticas e apoios ao plano econômico alternativo
Resende criticou duramente a alta taxa de juros vigente, qualificando-a como resultado de "preconceitos associados a uma teoria monetária e fiscal anacrônica". Sua publicação ganhou apoio de setores progressistas do governo, incluindo a deputada federal Gleisi Hoffmann, ex-ministra das Relações Institucionais.
Hoffmann defendeu o texto do economista nas redes sociais, considerando-o fundamental para confrontar pressões sobre a política fiscal brasileira. A parlamentar também criticou a reação negativa do mercado financeiro à possibilidade de diálogos entre Lula e Resende, afirmando que tal abertura para diferentes perspectivas econômicas constitui uma virtude do processo democrático.
A tensão entre as propostas alternativas e as posições da equipe econômica confirmada reflete debates mais amplos sobre os rumos da política monetária brasileira. Enquanto defensores de propostas sobre juros mais flexíveis argumentam pela necessidade de reduzir encargos para empresas e famílias, autoridades monetárias mantêm foco no combate à inflação e na estabilidade macroeconômica.
Contexto político e econômico
A rejeição clara às sugestões de Resende por parte de Durigan e Mercadante demonstra o alinhamento da equipe econômica confirmada com as políticas monetárias tradicionais. Estes dois personagens, junto ao presidente, formam o núcleo decisório nos temas relacionados ao gerenciamento fiscal e monetário do país.
O governo, em seus primeiros dias, busca transmitir mensagens de continuidade e previsibilidade aos mercados, especialmente após a recém-encerrada campanha presidencial que apresentou tensões sobre questões econômicas. A rapidez na negação de propostas sobre juros alternativos reflete essa estratégia de acalmar investidores internacionais e nacionais.
