Dino solicita esclarecimentos ao STF sobre validade de votos em julgamento de aborto
Ministro Flávio Dino pede informações técnicas para analisar pedidos de anulação de votos em sessão virtual sobre descriminalização do aborto. Confira detalhes.

Ministro Flávio Dino solicita informações para avaliar anulação de votos STF aborto
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou nesta quarta-feira (4) que setores técnicos da instituição forneçam informações detalhadas para possibilitar a análise de requerimentos que buscam a anulação de votos STF aborto em um julgamento que versou sobre a descriminalização voluntária da interrupção da gestação durante as primeiras doze semanas. Dino, que recebeu a responsabilidade pela relatoria do processo, examina questionamentos apresentados pela União dos Juristas Católicos de São Paulo (UJUCASP), Instituto Brasileiro de Direito e Religião (IBDR) e Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) acerca dos procedimentos utilizados na análise virtual do caso realizada em dezessete de outubro de 2025.
Contexto da sessão virtual e votação de Barroso
A sessão virtual em questão ocorreu quando o então ministro Luís Roberto Barroso votou pela liberação da interrupção da gestação durante o período mencionado. Este voto foi proferido um dia anterior à sua aposentadoria. No seu último dia de atuação na Corte, Barroso solicitou uma sessão extraordinária no plenário virtual para apresentar sua posição fundamentada. O pedido foi acolhido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que autorizou a realização da sessão de forma excepcional.
Imediatamente após a apresentação do voto de Barroso, o ministro Gilmar Mendes requereu que a matéria fosse julgada no plenário presencial, constituindo-se assim o segundo voto favorável à descriminalização do aborto nas primeiras doze semanas de gestação. Anteriormente, a ministra Rosa Weber havia defendido essa posição como primeira relatora da ação.
Argumentos para anulação dos votos
A UJUCASP e o IBDR fundamentam o pedido de invalidação do voto de Barroso afirmando que a abertura de sessão virtual às vésperas de sua aposentadoria, com o propósito específico de permitir a manifestação de seu voto, prejudicou a imparcialidade e a regularidade do processo de julgamento. Os argumentos ressaltam vícios procedimentais que comprometeram a lisura do procedimento.
Por sua vez, a CNBB solicita a anulação do voto de Rosa Weber, fundamentando-se na tese de que o voto favorável à liberação do aborto foi inserido no sistema do plenário virtual apenas após um requerimento para que o processo fosse apreciado no plenário presencial. Conforme a posição da Conferência, seria inviável a apresentação de votos por demais integrantes da Corte após o destaque feito para apreciação presencial.
Análise do ministro Dino sobre as irregularidades
Em sua manifestação, o ministro Dino reconheceu que as controvérsias processuais apontadas pelos amici curiae (amigos da Corte) referem-se à regularidade dos atos que antecederam e determinaram a realização da sessão virtual extraordinária de dezessete de outubro de 2025, incluindo as providências adotadas pela presidência da Corte. O ministro destacou um aspecto importante: a sessão virtual foi incluída na pauta da ministra Rosa Weber, que se encontra aposentada desde 2023.
Dino ressaltou que a ministra Rosa Weber indubitavelmente não realizou qualquer procedimento durante 2025 para inserir o processo na pauta de julgamento, suscitando questionamentos sobre quem e como realizou essa inclusão. Tal constatação reforça a necessidade de esclarecimentos sobre os trâmites administrativos envolvidos.
Necessidade de esclarecimento dos procedimentos
O ministro enfatizou que a análise em conjunto das questões suscitadas nos requerimentos evidencia a imprescindibilidade de elucidação completa da sequência de atos processuais e administrativos que resultaram na realização da sessão virtual extraordinária, bem como os respectivos fundamentos constitucionais, legais e regimentais que as embasaram. Segundo Dino, esse esclarecimento é essencial para assegurar a adequada apreciação das alegações de nulidade apresentadas pelas instituições católicas.
A solicitação de informações técnicas representa um passo importante no processo de revisão das alegadas irregularidades procedimentais, permitindo que a Corte examine detalhadamente se houve comprometimento dos princípios de imparcialidade e regularidade processual que fundamentam a legitimidade das decisões do Supremo Tribunal Federal.
Implicações para o julgamento
O resultado dessa análise poderá ter repercussões significativas para a validade da votação ocorrida em outubro de 2025, potencialmente impactando toda a decisão sobre descriminalização do aborto nas primeiras doze semanas. A apreciação das alegações de nulidade requer rigor técnico e observância irrestrita dos procedimentos que garantem a confiabilidade das decisões da instituição máxima do Poder Judiciário brasileiro.
