Verificação de Declarações de Zema na GloboNews
Confira o que é fato e fake nas declarações do candidato Romeu Zema em entrevista ao g1 e GloboNews. Análise completa de suas principais afirmações.

Análise Detalhada das Principais Afirmações de Romeu Zema
Em entrevista concedida ao g1 e à GloboNews nesta quinta-feira, o candidato à Presidência da República pelo partido Novo, Romeu Zema, participou de uma série de questionamentos sobre suas gestões e propostas. A verificação de declarações realizada pelos jornalistas revela um panorama complexo sobre as afirmações do presidenciável, com informações que variam entre confirmadas e contestadas.
Desempenho Econômico de Minas Gerais
Uma das principais afirmações verificadas refere-se à recuperação fiscal do estado. Segundo Zema, Minas Gerais saiu de um déficit de aproximadamente R$ 11 bilhões em 2018 para um superávit de R$ 5 bilhões em 2024. Esta informação foi confirmada pelo Balanço Geral do Estado divulgado pela Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. O resultado de 2024 foi impulsionado por receitas extraordinárias obtidas através dos acordos de reparação de Mariana e Brumadinho. No entanto, projeções indicam retorno a déficit de R$ 5 bilhões ao final de 2026.
Questões de Governança e Segurança
A declaração sobre a ausência de escândalos e corrupção durante seu governo foi classificada como falsa. A operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025, revelou um esquema bilionário de corrupção na mineração, atingindo diretamente o alto escalão do governo estadual. Pelo menos quatro dirigentes de órgãos ambientais foram exonerados ou afastados. O inquérito apontou suborno de servidores públicos para obtenção de licenças ambientais, envolvendo funcionários da Fundação Estadual do Meio Ambiente e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.
Banco Master e Envolvimento de Entidades Privadas
Ao comentar sobre o esquema do Banco Master, Zema afirmou que apenas entes públicos e fundos de pensões públicos estavam envolvidos. Esta afirmação foi classificada como parcialmente imprecisa. Embora bancos privados não apareçam diretamente, empresas privadas como Reag Investimentos e a produtora Go UP Entertainment figuraram nas investigações. A Go UP, responsável pelo filme sobre ex-presidente Jair Bolsonaro, teria recebido recursos em operações suspeitas, e a Agência Nacional de Cinema abriu processo contra a empresa por irregularidades.
Gestão do Antecessor e Servidores Públicos
A acusação contra o ex-governador Fernando Pimentel foi confirmada. De fato, investigações da Polícia Civil de Minas Gerais apontaram desvio de aproximadamente R$ 855 milhões em recursos de empréstimos consignados de servidores estaduais. Cerca de 260 mil servidores foram afetados, com nomes inscritos em cadastros de inadimplentes. Processo foi aberto contra o ex-governador e secretários de estado por crime de peculato e improbidade administrativa.
Investigações Envolvendo Membros do Partido Novo
A afirmação de que nenhum membro de seu partido estava sendo investigado foi classificada como falsa. O deputado estadual Elizeu Nascimento do Novo de Mato Grosso foi alvo de operação em 30 de abril por direcionamento irregular de emendas parlamentares, com apreensão de R$ 200 mil. Além disso, Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente e candidato ao Senado pelo Novo, responde à ação penal no Supremo Tribunal Federal por suposto esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais.
Criação de Empregos e Desemprego
A afirmação sobre criação de mais de 1 milhão de empregos foi confirmada pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A taxa de desemprego em Minas Gerais caiu de 10,8% em 2018 para 5% no primeiro trimestre de 2026, representando redução de 5,7 pontos percentuais. Este desempenho corresponde a aproximadamente 947 mil pessoas absorvidas pelo mercado de trabalho, considerando a população com 14 anos ou mais.
Segurança de Barragens e Descaracterizações
Quanto às barragens, a verificação indicou informações parcialmente precisas. Embora lei importante tenha sido sancionada em fevereiro de 2019, logo após o rompimento de Brumadinho em 25 de janeiro, várias normas de segurança já existiam antes. A Política Nacional de Segurança de Barragens foi criada em 2010. O número de 18 barragens descaracterizadas estava desatualizado; segundo painel do Ministério Público de Minas Gerais, 23 já foram descaracterizadas e 30 seguem em processo.
Liderança Feminina nas Forças de Segurança
A declaração sobre mulheres comandando as três principais instituições de segurança foi confirmada. A coronel Jordana de Oliveira Filgueiras Daldegan comanda o Corpo de Bombeiros, a coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues a Polícia Militar, e a delegada-geral Letícia Baptista Gamboge Reis a Polícia Civil. Verificação junto aos 26 estados e Distrito Federal confirmou que nenhum outro ente federativo apresenta esse cenário.
Multas Ambientais e Acordos de Reparação
A afirmação sobre a maior multa ambiental foi classificada como parcialmente imprecisa. Embora o estado tenha aplicado sanções significativas em Brumadinho, a primeira multa estadual de Mariana foi de R$ 112 milhões, superior à inicial de Brumadinho que foi de aproximadamente R$ 99 milhões. O valor de R$ 37 bilhões mencionado refere-se ao acordo judicial de reparação global de Brumadinho, não a uma multa exclusiva do governo estadual. Este acordo envolveu múltiplos órgãos e o Ministério Público. A repactuação de Mariana em 2024 totalizou R$ 170 bilhões em reparação e compensação.
Segurança Pública e Domínio de Facções
A declaração sobre 60 milhões de brasileiros vivendo em áreas controladas por facções criminosas foi confirmada como aproximadamente correta. Pesquisa contratada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública junto ao Datafolha publicada em maio estimou que 68 milhões de brasileiros percebem presença de grupos criminosos envolvidos com tráfico ou milícias. Estudo de Cambridge publicado em agosto apontou entre 50,6 milhões e 61,6 milhões de pessoas vivendo em locais com regras impostas por facções criminosas.
Processo Judicial contra Ministro do STF
A informação sobre processo por calúnia contra Zema foi confirmada. Candidato enfrenta ação classificada como crime de calúnia no Superior Tribunal de Justiça após acusação do ministro Gilmar Mendes. Caso relaciona-se a vídeo publicado em março com representação irônica de Mendes e Dias Toffoli mediante fantoches, em conteúdo sobre Banco Master. Zema foi intimado em junho pela Justiça Federal.
Conclusão da Verificação
A análise das declarações de Romeu Zema revela cenário misto de informações confirmadas e contestadas. Enquanto dados sobre desempenho econômico e emprego foram verificados como precisos, afirmações sobre ausência de escândalos, investigações de membros do partido e valores de multas ambientais apresentaram imprecisões ou foram classificadas como falsas. A entrevista faz parte de série com presidenciáveis realizada pelo g1 e GloboNews baseada em pesquisa Datafolha de julho.
