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Setor privado Brasil-EUA busca expandir comércio

Empresários brasileiros e americanos defendem ampliar comércio em data centers, automóveis e minerais críticos. Negociações contra tarifas de 25% com prazo até...

Setor privado Brasil-EUA busca expandir comércio
Fonte: g1.globo.com/economia/noticia/2026/07/13/empresarios-de-eua-e-brasil-defendem-ampliar-comercio-em-areas-como-data-centers-automoveis-e-minerais.ghtml

Ampliação do comércio entre Brasil e EUA em destaque

Representantes do setor empresarial brasileiro e americano enviaram uma carta pública aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump propondo a expansão do comércio Brasil Estados Unidos em diversos segmentos estratégicos. A iniciativa surge em momento crítico, quando as duas nações negociam a possibilidade de aplicação de tarifas sobre produtos brasileiros no mercado americano.

A correspondência foi encaminhada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce. O documento apresenta sugestões concretas para fortalecer as relações comerciais bilaterais, especialmente diante das pressões tarifárias que pairam sobre as exportações brasileiras.

Setores prioritários para expansão comercial

Os empresários indicam cinco áreas principais para aprofundamento da parceria comercial. Na segurança energética e infraestrutura digital, sugerem ampliar o acesso a mercados relacionados a data centers e energia renovável. No setor automotivo e farmacêutico, propõem intensificar a cooperação regulatória entre os dois países.

A cooperação em minerais críticos representa outra prioridade fundamental, especialmente considerando a importância geopolítica desses insumos para manufatura de tecnologia avançada. Os signatários também defendem apoiar uma moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre transmissões eletrônicas e acelerar o processo de exame de patentes.

Contexto das negociações tarifárias

As negociações ocorrem em contexto de significativa pressão comercial. De acordo com estimativas da CNI, a implementação das tarifas propostas atingiria aproximadamente 4,2 mil produtos brasileiros exportados para o mercado americano, representando prejuízos de cerca de 15 bilhões de dólares em exportações.

A investigação comercial conduzida pelo governo americano propôs a aplicação de uma alíquota de 25% sobre determinados produtos brasileiros. O prazo para conclusão das negociações e tomada de decisão pela administração Trump é 15 de julho, criando uma janela temporal limitada para que as partes alcancem um entendimento mutuamente satisfatório.

Apelo pela solução negociada

Na carta, as entidades empresariais deixam claro seu posicionamento: "Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros".

O documento complementa argumentando que "o avanço por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países". A correspondência foi dirigida aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de Marco Rubio e Jamieson Greer pela parte americana.

Resposta governamental brasileira

O Ministério das Relações Exteriores respondeu ao setor privado reconhecendo as sugestões apresentadas: "Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional". Essa manifestação indica disposição do governo em prosseguir com conversas diplomáticas.

Impactos econômicos da disputa comercial

Segundo Abrão Neto, presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil, "a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial".

Os dados compartilhados revelam deterioração nas relações comerciais bilaterais. A participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos primeiros cinco meses de 2026, o menor patamar já registrado. As importações brasileiras originárias dos Estados Unidos recuaram 11% no mesmo período, evidenciando o impacto de tensões comerciais nas transações.

Influência econômica em risco

Neto complementa sua análise alertando: "Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas".

A avaliação sugere que reversão completa das tarifas é improvável, mas há esperança de que o alcance e a magnitude da medida possam ser reavaliados considerando os prejuízos potenciais à economia americana e à competitividade de suas empresas no mercado brasileiro.

Mobilização do setor privado americano

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que solicitaram isenção de tarifas sobre produtos brasileiros. Essas entidades argumentam que não existem substitutos adequados produzidos domesticamente nos Estados Unidos para diversos insumos brasileiros.

Os peticionários também ressaltam que a aplicação das tarifas elevaria custos para consumidores americanos e para indústrias que dependem desses produtos como insumos na fabricação de outros bens. Essa mobilização do setor privado americano representa um fator importante nas negociações, demonstrando que as tarifas afetariam tanto brasileiros quanto americanos.

Etapas da investigação comercial

Os Estados Unidos concluíram investigação comercial contra o Brasil sob alegação de que o país adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio americano. Entre os pontos citados estão funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com terceiros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, questões de propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção.

Apesar da proposta de taxação abrangente, os Estados Unidos incluíram lista de exceções para produtos considerados estratégicos, incluindo café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves, peças e minerais estratégicos. Essas isenções refletem reconhecimento americano sobre a importância de manter fluxos específicos de produtos brasileiros.

Próximos passos e expectativas

Reuniões públicas foram abertas para coleta de manifestações de associações empresariais brasileiras e americanas dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual. Há expectativa de encontros entre equipes de negociadores brasileiros e americanos antes da data limite de 15 de julho para decisão final sobre as tarifas.

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