Passaportes de brasileiros no exterior agora são impressos no Brasil
Consulados brasileiros passaram a enviar pedidos de passaporte para a Casa da Moeda imprimir no Brasil. Saiba como essa mudança afeta o prazo de entrega.

Nova dinâmica na impressão de passaportes brasileiros no exterior
Os passaportes de brasileiros no exterior estão passando por uma transformação significativa em seu processo de confecção. Ao invés de serem impressos diretamente nos consulados e embaixadas, agora os pedidos são encaminhados para o Brasil, onde a Casa da Moeda do Brasil (CMB) realiza a impressão e posterior envio aos respectivos postos consulares. Essa mudança nos passaportes de brasileiros no exterior representa uma reformulação estrutural na forma como o Itamaraty gerencia a documentação de seus cidadãos no exterior.
Implementação do projeto-piloto e expansão gradual
O processo de centralização iniciou como um projeto-piloto no ano passado, conforme informações do Itamaraty. A mudança começou de forma localizada, com testes em determinados consulados, mas já está afetando unidades em países estratégicos como Estados Unidos, Alemanha e México. Desde o fim de julho, o Consulado do Brasil em Miami oficializou que os documentos passaram a ser emitidos exclusivamente pela CMB.
O projeto-piloto teve seu início em abril nos consulados de Boston e Nova York. Em julho de 2026, foi expandido para os onze postos consulares nos EUA, além das embaixadas em Acra e Doha e dos consulados-gerais em Frankfurt, Lisboa, Porto e Cidade do México. Nos demais postos ao redor do mundo, a impressão continua sendo realizada localmente, mantendo o modelo tradicional.
Desempenho do novo modelo de confecção
O Ministério das Relações Exteriores divulgou que o novo método apresentou resultados considerados satisfatórios durante a fase inicial. De acordo com a avaliação da pasta, a centralização demonstrou "resultados concretos satisfatórios (inclusive no que tange à diminuição no tempo de entrega dos passaportes)". O Itamaraty apontou que os bons resultados observados motivaram a expansão do projeto-piloto para mais unidades.
A pasta argumenta que essa mudança busca aumentar a segurança dos documentos, padronizar os passaportes emitidos no exterior com aqueles entregues no Brasil e reduzir o prazo de entrega. Segundo o ministério, a medida "alinha-se às melhores práticas internacionais de gestão de documentos de viagem".
Aumento expressivo na demanda por passaportes
A implementação dessa nova estrutura está diretamente relacionada ao crescimento significativo na procura por serviços consulares. Os dados do Itamaraty revelam um aumento considerável nas solicitações de emissão de passaportes no exterior. Em 2024, foram emitidos 195,6 mil passaportes, enquanto em 2025 esse número saltou para 274,4 mil, representando uma alta de 40%.
O crescimento continuou em 2026. Apenas no primeiro semestre do ano, foram emitidos 188,9 mil documentos, um avanço de 26% em relação ao mesmo período de 2025. O pico de demanda ocorreu em julho deste ano, quando foram registrados mais de 33 mil pedidos, marcando o "maior número de solicitações para um único mês", conforme informou o Itamaraty.
Razões por trás da mudança organizacional
O Itamaraty explicou que a decisão de centralizar a impressão foi motivada por dois fatores principais: um "salto exponencial" na demanda pelos serviços consulares e a implementação estratégica do projeto-piloto de centralização. Anteriormente, havia especulação sobre a falta de recursos orçamentários como causa dessa mudança, conforme reportagens de jornais nacionais. Porém, o Ministério das Relações Exteriores negou essa possibilidade e classificou a situação orçamentária como "superada".
Transição do modelo tradicional para o centralizado
Historicamente, as redes consulares brasileiras imprimiam os passaportes no próprio local de atendimento. Essa era uma prática consolidada há décadas, permitindo que os cidadãos recebessem seus documentos de forma mais ágil. Com a nova dinâmica, o pedido é repassado pelo Itamaraty à Casa da Moeda do Brasil, que fica responsável pela confecção completa e pelo envio aos respectivos países.
No Brasil, a Polícia Federal costuma entregar passaportes a partir de seis dias úteis. Com a implementação dessa centralização, espera-se que o processo seja padronizado, embora o Itamaraty não tenha detalhado especificamente o impacto nos prazos para entrega nos países que integram o projeto-piloto.
Segurança e padronização como objetivos estratégicos
O Itamaraty enfatiza que a medida visa melhorar diversos aspectos operacionais. A centralização permite maior controle sobre a qualidade dos documentos, garantindo que todos os passaportes emitidos no exterior sigam os mesmos padrões de segurança e apresentação dos entregues internamente no Brasil. Isso reduz variações e potenciais fraudes, já que toda a confecção passa por um único órgão especializado.
Próximas etapas e avaliação do projeto
Segundo o Itamaraty, nesta etapa do projeto, o ministério terá condições de realizar "avaliação detalhada, considerando os ganhos de produtividade, economicidade e eficiência que venham a ser auferidos com a execução do projeto". A pasta está coletando dados para determinar se a expansão deve continuar para outros consulados ao redor do mundo ou se ajustes são necessários no modelo.
A mudança nos passaportes de brasileiros no exterior representa uma evolução na gestão administrativa do Itamaraty, buscando adequar-se ao aumento expressivo de demanda registrado nos últimos anos e implementar práticas mais alinhadas com padrões internacionais de segurança documental.
