Museu Murilo Mendes recebe certificação Ibram
O Museu de Arte Murilo Mendes, em Juiz de Fora, conquistou a certificação Ibram. Conheça os benefícios e a importância do selo de registro.

Museu de Arte Murilo Mendes obtém certificação oficial do Ibram
O Museu de Arte Murilo Mendes (Mamm), vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), conquistou oficialmente a certificação Ibram em junho deste ano. Aos 13 anos de funcionamento, a instituição recebeu o prestigiado selo "Museu Registrado", consolidando seu reconhecimento como espaço de relevância cultural. Esta certificação Ibram posiciona o Mamm entre os 172 museus brasileiros certificados e integra o grupo de apenas 31 instituições mineiras com esta distinção.
A conquista representa um marco institucional significativo para o museu juiz-forano. Na região, outras instituições já possuíam a certificação Ibram, como o Museu Regional de São João del Rei, a Pinacoteca e o Museu Histórico da Universidade Federal de Viçosa (UFV), além do Museu de Ciências da Terra Alexis Dorofeev, também localizado em Viçosa. Segundo o Instituto Brasileiro de Museus, essa certificação funciona como um selo de reconhecimento institucional que valida a excelência operacional e administrativa do espaço.
Importância e benefícios da certificação Ibram
Ricardo Cristófaro, diretor do Mamm, destaca que possuir o selo "Museu Registrado" confere status diferenciado à instituição. O reconhecimento oficial pelo governo federal abre portas para participação em editais de captação de recursos, estabelecimento de parcerias em programas nacionais e internacionais, além de possibilitar intercâmbios de exposições com outras instituições culturais.
A certificação Ibram traz benefícios concretos que transcendem o reconhecimento simbólico. As instituições certificadas ganham maior visibilidade tanto em plataforma nacional (Plataforma Museusbr) quanto internacional (Registro de Museus Ibero-americano). Além disso, o registro facilita o compartilhamento de informações aprofundadas sobre os museus com a sociedade, auxilia órgãos públicos a qualificar políticas voltadas para o setor e permite que a instituição exerça direito de preferência em casos de Declaração de Interesse Público.
Profissionalização do setor museológico
O caminho para a certificação Ibram passa pela compreensão de uma transformação maior no universo dos museus brasileiros. Cristófaro explica que quando o Mamm foi criado, havia ampla liberdade para nomear qualquer espaço como museu. A partir de 2009, com a criação do Ibram, esse cenário mudou significativamente. O instituto estabeleceu normas claras sobre o que constitui um museu em contraste com coleções de interesse cultural.
O trabalho do Ibram enfatiza a profissionalização da gestão museológica, incluindo administração de recursos humanos, levantamento de riscos, organização de acervos e estruturação de sistemas. Como exemplo de diferenciação correta, o diretor menciona o Memorial Itamar Franco, situado ao lado do Mamm, que funciona como espaço de interesse cultural e não como museu, apesar de possuir acervo relevante.
Processo de obtenção da certificação Ibram
O Mamm iniciou sua jornada pela certificação Ibram em 2017, sob liderança da museóloga Raquel Barbosa e do restaurador Aloísio Arnaldo de Castro. O processo envolveu a apresentação de documentação extensa, abertura formal do pedido em setembro de 2017, resposta a interpelações e solicitações adicionais, além de análise minuciosa de aspectos como missão institucional, acervo, relevância cultural, estrutura do conselho curador, diretoria eleita e plano museológico trienal.
A aprovação representou validação de uma instituição consolidada e bem estruturada. O rigor do processo garante que apenas museus que atendem a critérios específicos de profissionalismo e organização recebam a certificação Ibram, reforçando a credibilidade do selo junto à comunidade internacional e aos órgãos de fomento cultural.
Acervo e programação do Museu de Arte Murilo Mendes
Inaugurado em 2005, o Mamm abriga o significativo acervo bibliográfico e de artes visuais do poeta juiz-forano Murilo Mendes. Além de exposições regulares, a instituição desenvolve intensa programação cultural, educativa e totalmente gratuita, preservando e expandindo o legado do intelectual que nomeia o espaço.
O museu centraliza múltiplas coleções especializadas. Encontram-se nas dependências do Mamm a Biblioteca e Hemeroteca Dormevilly Nóbrega, a biblioteca da escritora Cleonice Rainho, acervos das famílias Cosette de Alencar, do arquiteto Arthur Arcuri, do artista plástico João Guimarães Vieira e da autora Maria de Lourdes de Oliveira. Conforme descreve Cristófaro, o museu reúne o acervo original de Murilo Mendes em formato bibliográfico e pinacoteca de artes visuais, complementado por acervo expandido com livros ligados à literatura, artes visuais e arquitetura, incluindo coleção de arte moderna e contemporânea brasileira e produções locais juiz-foranas.
Exposições e atividades culturais
A visitação ao museu é totalmente gratuita, funcionando de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 18h. O Mamm mantém programação consistente de exposições focadas no acervo interno, frequentemente revisitadas por projetos de pesquisa que exploram a riqueza da coleção.
Atualmente em cartaz estão exposições dedicadas ao acervo brasileiro, outra focada na técnica de gravura presente na Coleção Murilo Mendes, e a mostra "Farnese – Pintura. Gravura. Objeto.", apresentando trabalhos do artista Farnese de Andrade exibidos originalmente em 1979 na antiga Capela Galeria de Arte.
Desde abril deste ano, o museu retomou o Projeto Coletivo Cultural, disponibilizando ônibus para transportar estudantes de instituições públicas de Juiz de Fora até o espaço. Nesta semana, o Mamm recebe atrações da 29ª edição do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, reforçando seu papel como centro irradiador de cultura na região.
Sobre o selo Museu Registrado e o Ibram
O Instituto Brasileiro de Museus estabeleceu a certificação Ibram como instrumento fundamental da Política Nacional de Museus, previsto pelo Estatuto de Museus (Lei 11.904, de 2009) e regulamentado pelo Decreto nº 8.124, de 2013, e Resolução Normativa nº 1 de 2016. O objetivo central é estimular a formalização de museus, acompanhando as dinâmicas de criação, fusão, incorporação, cisão ou extinção dessas instituições.
Para solicitar o registro e receber o selo desde janeiro de 2017, museus devem preencher e assinar o Formulário de Solicitação de Registro, fotocopiar documentos solicitados e entregar a documentação completa ao Ibram ou à entidade registradora local designada. A certificação Ibram também habilita o museu a participar de editais de fomento de outras entidades que exijam reconhecimento oficial, expandindo significativamente as oportunidades de financiamento e desenvolvimento institucional.
