MC Ryan SP é condenado por violação de direitos autorais
MC Ryan SP condenado por não creditar autor em 34 músicas. Justiça determina inclusão de créditos e pagamento de royalties ao compositor Luska.

Condenação de MC Ryan SP por direitos autorais em 34 composições
MC Ryan SP, artista mais ouvido do Brasil segundo dados do Spotify, foi condenado por violação de direitos autorais ao não reconhecer Lucas Vieira Jozimba, que utiliza o nome artístico Luska, como autor de 34 músicas. A decisão foi proferida pelo juiz Rodrigo Garcia Martinez, da 12ª Vara Cível de Santos, em São Paulo. A condenação de MC Ryan SP estabelece obrigações imediatas e determina pagamentos significativos pela utilização indevida das composições.
O processo revelou que Luska enviava as composições ao funkeiro com promessas explícitas de divisão de lucros e inclusão de créditos nos trabalhos, compromissos que não foram cumpridos conforme acordado. Entre as canções reivindicadas pelo compositor está "Cracolândia", um dos maiores sucessos de MC Ryan SP, que acumula mais de 200 milhões de visualizações no YouTube.
Detalhes da acusação e defesa apresentada
Lucas Vieira Jozimba apresentou documentação ao tribunal incluindo conversas via aplicativo de mensagens como prova das negociações e acordos realizados. Segundo o compositor, essas conversas demonstram claramente as promessas feitas pelo artista e pela produtora GR6 quanto ao reconhecimento da autoria e divisão de rendimentos.
A defesa de MC Ryan SP e da produtora GR6 questionou a validade das conversas digitais apresentadas como evidência e alegou que as obras não possuíam registro formal na União Brasileira de Compositores (UBC). A estratégia defensiva também incluiu a afirmação de que as músicas citadas seriam autorais do próprio MC Ryan SP ou de MC BKA.
Argumentação da sentença sobre direitos autorais
Na sua decisão, o magistrado Rodrigo Garcia Martinez fundamentou-se na legislação vigente de direitos autorais no Brasil. O juiz indicou que a lei brasileira "estabelece categoricamente que a proteção aos direitos de autor independe de registro". Esta interpretação jurídica foi crucial para a condenação de MC Ryan SP.
O magistrado também reconheceu que prints de conversas via aplicativos de mensagens funcionam como prova válida e servem para proteger os direitos do compositor. A decisão ainda apontou que apenas 11 das 34 canções estavam cadastradas na UBC em nome de Ryan SP, sendo que o cadastro de fonogramas é responsabilidade do produtor fonográfico, no caso a GR6.
Obrigações impostas pela justiça
A condenação de MC Ryan SP determina que o artista e a produtora GR6 incluam o nome de Luska como compositor em todas as plataformas digitais de streaming e no Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) em um prazo de 30 dias. O descumprimento dessa determinação acarretará multa diária de R$ 1 mil até a regularização completa.
Além das obrigações administrativas, a Justiça condenou MC Ryan SP e a GR6 ao pagamento de todos os lucros obtidos com a cessão e royalties das 34 músicas desde o lançamento de cada uma delas. O valor total da indenização está em fase de cálculo e análise pelos tribunais competentes.
Indenizações por danos morais
Para além das questões financeiras relativas aos direitos autorais propriamente ditos, os réus foram condenados ao pagamento de R$ 20 mil em indenização por danos morais. Esta condenação de MC Ryan SP relaciona-se especificamente à omissão deliberada do nome do compositor Luska nos créditos das obras ao longo dos anos.
A quantia estabelecida para indenização moral reconhece o prejuízo reputacional e emocional sofrido pelo autor que viu suas composições serem exploradas comercialmente sem o devido reconhecimento da autoria, especialmente em casos de grande sucesso como "Cracolândia".
Músicas objeto da disputa judicial
A lista completa das 34 composições abrangidas pela condenação de MC Ryan SP inclui títulos como "Marcha", "Amante da Minha Conta", "Rumo ao Milênio", "Nipe de Executivo", "Pétolas de Brilho Dourado", "No Tabuleiro", "Às Vezes Penso em Desistir", "Pernoite 2", "Bem Sucedido de Marte", "Minha Garagem", "Profissão de Alto Risco", "Céu Escureceu", "É Missil", "Tem que Ser de Luxo", "Mercedão (Resgate)", "7 Dias Fora de Casa", "C.C.L.O.N.A.D.O", "Paraíso do Meu Apogeu", "Válvula Monetária", "Virei Luz", "Tubarão Gigante", "Pernoite", "Sinceridade (Robin Wood do Guetto)", "7 Marcha", "Oferecida (Set DJ Pedro 4.0)", "Astronalta Delas", "Pique de Milionário", "Tropa do Jogo do Bixo", "Cracolândia (Ilusão) feat. DJ Alok", "Diploma na Academia (#TBT Poesia Acústica)", "Subi um Balão no Pião", "Revoada do Tubarão 2", "Atividade" e "Set DJ Pedro 3.0".
Possibilidade de recursos jurídicos
A condenação de MC Ryan SP permite que os condenados apresentem recursos às instâncias superiores do Judiciário. Este direito de recurso é garantido pelo sistema jurídico brasileiro e oferece a possibilidade de revisão da sentença por tribunais de apelação. O processo pode se estender por ainda mais tempo até uma decisão final e irrevogável.
Até o momento, MC Ryan SP e a produtora GR6 não se manifestaram publicamente sobre a condenação. Ambos têm o direito de buscar recursos legais e de solicitar revisão da decisão perante as instâncias superiores da Justiça brasileira.
