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Macklemore doa US$ 1 milhão para ONGs palestinas após expulsão de turnê

Macklemore anuncia doação de US$ 1 milhão para organizações pró-Palestina após ser removido da turnê de Ed Sheeran pelos EUA por discurso político.

Macklemore doa US$ 1 milhão para ONGs palestinas após expulsão de turnê
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Macklemore anuncia doação milionária para organizações palestinas

O rapper Macklemore divulgou nesta quarta-feira (16) sua decisão de destinar toda a remuneração recebida como artista convidado da turnê "Loop" de Ed Sheeran para organizações humanitárias que atuam em prol do povo palestino. A quantia anunciada totalizou US$ 1 milhão, equivalente a aproximadamente R$ 5,1 milhões pela cotação vigente. A decisão representa um posicionamento político contundente do artista após sua saída repentina do calendário de apresentações.

Em publicação no Instagram, Macklemore confirmou que os recursos serão distribuídos entre seis organizações dedicadas à causa palestina. O comunicado reafirmou seu compromisso com a questão, declarando que "uma vida palestina não tem menos valor do que qualquer vida desta Terra". O artista também dirigiu um convite direto ao empresário Robert Kraft para que realizasse contribuição similar, evidenciando a natureza pública e coletiva de seu posicionamento.

Os antecedentes da controvérsia na turnê americana

A trajetória que culminou na doação iniciou-se no dia 4 de setembro, quando Macklemore se apresentava como atração de abertura no MetLife Stadium, localizado em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Durante sua performance, o rapper pronunciou publicamente a frase "Free Palestine" (Palestina Livre) e manifestou seu desejo de que populações em Gaza e na Cisjordânia compreendessem que não haviam sido esquecidas pela comunidade internacional e pela indústria do entretenimento.

A manifestação gerou reação imediata de grupos políticos. O Conselho Israelense-Americano (Israeli American Council) mobilizou-se rapidamente, promovendo uma petição formal que exigia a exclusão de Macklemore do restante da turnê. Essa pressão institucional acelerou os processos de decisão entre os produtores e os locais de apresentação.

Pressão dos estádios e a retirada do artista

A Messina Touring Group, empresa promotora responsável pela execução da turnê "Loop" nos Estados Unidos, comunicou à revista "Rolling Stone" que Macklemore seria removido das apresentações subsequentes. A empresa justificou a medida citando posicionamentos expressos pelos estádios e anfiteatros que abrigariam os concertos, alegando que tais locais não permitiriam a realização dos shows com o rapper no line-up original.

Em declaração oficial, a Messina Touring Group explicou: "Como promotora da turnê 'Loop' de Ed Sheeran nos Estados Unidos, fomos informados pelos locais que sediarão as próximas datas da turnê de que eles não permitirão a realização dos shows com Macklemore no line-up. Isso resultaria no cancelamento da turnê e impactaria centenas de milhares de fãs. Após discussões com as partes envolvidas, Macklemore não se apresentará nas datas restantes como atração de apoio."

Macklemore estava programado para abrir oito dos dez shows restantes da turnê pelo território americano. A retomada estava prevista para 19 de setembro na Filadélfia. Cidades como Boston, Atlanta, Charlotte, Indianápolis, Dallas e Tampa teriam se oposto ao retorno do artista aos palcos.

Manifestações de Macklemore e Ed Sheeran

Macklemore liberou um extenso comunicado na segunda-feira (14) explicando sua retirada da turnê. Com tom reflexivo, o artista ressaltou: "Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima". Continuou argumentando que possui "carreiras, dinheiro, oportunidades, segurança e público no mundo todo", enquanto "as vítimas são os palestinos".

Ed Sheeran, por sua vez, emitiu comunicado próprio reafirmando que a decisão partiu exclusivamente da promotora da turnê. O cantor britânico declarou: "Não sou cúmplice. Tenho minhas visões pessoais sobre esse conflito devastador. Só porque eu escolho não falar publicamente, não significa que eu não as tenho, e não significa que eu não me importe". A posição de Sheeran buscava equilibrar a manutenção da neutralidade pública com o reconhecimento de suas convicções particulares.

Contexto humanitário do conflito em Gaza

Um comitê de investigação contratado pela Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou em junho parecer técnico apontando que Israel direcionou ataques deliberadamente contra crianças na Faixa de Gaza. Segundo a comissão investigativa, tais práticas constituem genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra conforme definições do direito internacional.

Os números documentados pela comissão da ONU indicaram que aproximadamente 30% do total de 73 mil mortos no conflito em Gaza eram crianças, totalizando pouco mais de 20 mil vítimas infantis em contagem absoluta. Esses dados contextualizam o posicionamento dos artistas envolvidos na controvérsia.

Saída em cascata de artistas da turnê de Ed Sheeran

A situação provocou reações adicionais na indústria musical. Os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, assim como a banda irlandesa Beoga, divulgaram na terça-feira (15) que não continuariam abrindo os shows de Ed Sheeran. Com essa debandada, Sheeran perdeu a totalidade dos artistas de abertura para sua série de concertos, que mantém datas programadas até 11 de dezembro.

Finneas, particularmente, seria responsável pela abertura das apresentações de Sheeran em São Paulo nos dias 5 e 6 de dezembro. O grupo Beoga cumpriria dupla função, abrindo shows e também se apresentando ao lado do artista britânico em trechos musicais influenciados pela tradição irlandesa.

Os artistas acompanharam suas decisões com manifestações públicas de apoio à causa palestina. Finneas publicou: "Artistas não devem ser silenciados por se manifestar contra a opressão". Lukas Graham argumentou: "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira". Aaron Rowe refletiu: "Como irlandeses, conhecemos bem até demais genocídio, fome forçada e ocupação violenta". A banda Beoga complementou: "Somos irlandeses que entendem colonialismo. Como membros fundadores do movimento Artistas Irlandeses pela Palestina, somos ativistas com compromisso pela justiça e continuaremos a ser".

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