Laudo revela praias impróprias para banho nas férias maranhenses
Secretaria de Meio Ambiente divulga que 13 de 21 praias estão impróprias para banho em São Luís. Conheça quais são e os riscos à saúde durante as férias no Mara...

Situação das praias da região metropolitana de São Luís
Um relatório técnico divulgado pela Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão identificou que praias impróprias para banho representam um risco considerável para turistas durante o período de férias escolares na região. De acordo com o laudo de balneabilidade, 13 dos 21 pontos monitorados em praias localizadas entre São Luís e São José de Ribamar apresentaram condições inadequadas para a prática de banho. As análises foram realizadas entre 17 de junho e 15 de julho de 2018, fornecendo um diagnóstico importante sobre a qualidade das águas no litoral maranhense.
O relatório técnico representa um importante alerta para famílias que planejam aproveitar as férias escolares nas praias da região metropolitana. As praias impróprias para banho registradas incluem pontos de grande circulação de banhistas, particularmente nas praias da Ponta d'Areia e do Calhau, onde todos os locais analisados apresentaram índices de contaminação acima dos limites permitidos.
Praias de São Luís com restrições totais ao banho
Na capital maranhense, a praia da Ponta d'Areia apresentou um cenário particularmente crítico. Todos os seis pontos monitorados nesta praia foram classificados como impróprios para o banho, abrangendo áreas como o trecho atrás do Hotel Praia Mar, junto ao Bar do Dodô, em frente à Praça de Apoio ao Banhista, próximo ao Edifício Herbene Regadas, ao lado do Hotel Brisa Mar e na proximidade do Forte Santo Antonio.
A praia do Calhau também se encontrava completamente inadequada para atividades de banho, com três pontos distintos apresentando contaminação: à direita da elevatória II da CAEMA, em frente à Pousada Tambaú e junto ao Bar Malibu. Este cenário reflete uma situação preocupante considerando que se trata de um dos principais destinos de lazer da população local.
Um caso notável foi registrado na praia de São Marcos, onde apesar de dois pontos serem considerados próprios para o banho, um terceiro ponto localizado na Foz do Rio Calhau foi classificado como impróprio. Observações visuais no local confirmaram a presença de escoamento de esgoto descendo pela areia, evidenciando a contaminação das águas pela carga de dejetos.
Experiências de banhistas com problemas de saúde
Relatos de visitantes confirmam os riscos apontados pelo laudo técnico. Uma pizzaiola que frequenta as praias com sua família observou manifestações de problemas dermatológicos em sua filha caçula após banho em águas contaminadas. Segundo relato da mãe, a criança apresentou reações alérgicas após o contato com a água, desenvolvendo vermelhidão e coceira intensa, levando-a a evitar futuras idas às praias.
Apesar dos avisos sobre qualidade de água, muitos visitantes optam por ignorar as restrições para aproveitar o período de férias. Uma cabeleireira que viajou de Santa Inês com seus filhos relatou a dificuldade de abster-se do banho nas praias, mesmo tendo conhecimento dos riscos potenciais à saúde. Este comportamento evidencia um conflito entre o desejo de lazer e a segurança, levando famílias a se exporem aos perigos da água contaminada.
Riscos à saúde provocados por água contaminada
Segundo orientações do dermatologista Leonardo Maciel, a água poluída apresenta diversos riscos para a saúde dos banhistas. Contrariamente ao senso comum de que os principais problemas sejam dermatológicos, o especialista aponta que o trato gastrointestinal é o sistema mais afetado. Infecções intestinais e episódios diarreicos constituem as complicações mais frequentes resultantes do contato com águas contaminadas.
Além das infecções intestinais, a areia contaminada das praias representa outro vetor de transmissão de doenças. A presença de vermes de animais domésticos, particularmente de cães e gatos que frequentam as praias, pode resultar em infestações parasitárias. O bicho geográfico, uma manifestação dermatológica causada por larvas de parasitas, representa uma complicação frequente, especialmente em crianças que brincam prolongadamente na areia.
O dermatologista enfatiza que as crianças encontram-se em situação de maior vulnerabilidade aos riscos decorrentes da contaminação. Por desenvolverem atividades lúdicas na areia úmida e frequentemente levar as mãos à boca, ficam mais expostas à ingestão de agentes contaminantes. O contato da pele das crianças com parasitas presentes na areia pode provocar reações inflamatórias intensas e incômodas.
Pontos das praias próprios para banho
O laudo também identificou oito pontos em praias onde as condições de qualidade de água permitiam o banho com segurança. Na praia de São Marcos, três pontos foram considerados apropriados: em frente à Barraca da Marcela, junto aos Bares Do Chef e Marlene's, e próximo ao Agrupamento Batalhão do Mar.
A praia do Meio apresentou dois pontos adequados para banho: em frente ao Bar do Capiau e ao Bar da Praia. A praia do Araçagy, por sua vez, ofereceu três locais seguros para o banho, situados em frente ao Bar Novo Point, Bar do Isaac e Fatima's Bar.
Importância do monitoramento de balneabilidade
A divulgação periódica de laudos de balneabilidade constitui ferramenta essencial para a proteção da saúde pública. Estes relatórios técnicos orientam a população sobre a segurança das águas e subsidiam ações de controle ambiental pelas autoridades competentes. O monitoramento regular das praias permite identificar pontos críticos de contaminação e direcionar esforços de remediação ambiental. Durante períodos de maior circulação de pessoas, como as férias escolares, a relevância dessas informações se intensifica, permitindo que famílias tomem decisões informadas sobre onde frequentar para praticar banhos seguros.
