Jessé é homenageado em novo álbum de Moisés Navarro
Moisés Navarro lança 'Alguém cantando', álbum tributo ao cantor Jessé, falecido há 33 anos. Conheça a história do artista e o novo projeto.

Quem foi Jessé, o cantor lembrado em novo álbum
Jessé é um dos nomes memoráveis da música brasileira, falecido há 33 anos em circunstâncias trágicas. O artista, cujo nome completo era Jessé Florentino Santos, nasceu em 25 de abril de 1952 em Niterói, no Rio de Janeiro, e construiu uma carreira marcante no cenário musical nacional. Sua história se entrelaça com um período peculiar da indústria fonográfica brasileira, quando muitos cantores nacionais adotavam pseudônimos em inglês para conquistar o público.
A trajetória de Jessé começou de forma discreta, mas ganhou força quando o artista participou do Festival MPB-80, transmitido pela Rede Globo. Naquela ocasião, Jessé defendeu a música "Porto solidão", composição de Zeca Bahia inspirada em versos do poeta Antonio Ginco, conhecido como Gincko. A performance marcante naquele festival projetou o cantor e consolidou sua presença no mercado musical brasileiro dos anos 1980.
A carreira musical de Jessé e seus principais trabalhos
Antes de consolidar seu nome artístico, Jessé participou de grupos musicais e experimentou diferentes identidades cênicas. Em 1976, o cantor chegou a usar o pseudônimo Christie Burgh, fazendo uma releitura da canção "Flying", originalmente lançada por Chris de Burgh em 1974. Contudo, questões legais relacionadas à semelhança dos nomes levaram o artista a adotar uma nova identidade, Tony Stevens, que utilizou até 1977.
O primeiro álbum de Jessé saiu em 1980, impulsionado pelo sucesso obtido no Festival MPB-80. Neste trabalho inicial, o artista gravou músicas como "Campo minado" e "Voa, liberdade", ambas compostas por Mário Maranhão em parceria com outros compositores. O registro fonográfico demonstrava o potencial vocálico do artista e sua capacidade de interpretar diferentes gêneros musicais.
Em 1982, Jessé lançou um álbum que levava seu nome artístico. Nesta produção, gravou "Onde está você", composição de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini de 1963, além de "Solidão de amigos", que seria posteriormente regravada por outros intérpretes. O álbum duplo ao vivo "O sorriso ao pé da escada", lançado em 1983, apresentava o artista em uma apresentação ao vivo onde interpretava clássicos como "A noite do meu bem" (1959), "Romaria" (1977) e "Irmãos da lua" (1982).
O último trabalho de Jessé foi o álbum "Raízes", lançado em 1992, um ano antes de seu falecimento. Nesta produção final, o artista gravou "Paz do meu amor", composição de Luiz Vieira originária de 1963, consolidando seu legado musical com um repertório que transitava entre diferentes períodos da música popular brasileira.
Circunstâncias da morte e seu legado
Jessé faleceu em 29 de março de 1993, aos 40 anos, vítima de um acidente automóvel em uma estrada próxima a Ourinhos, interior de São Paulo. Seu desaparecimento precoce deixou em aberto a possibilidade de novas contribuições artísticas, interrompendo uma carreira que ainda apresentava potencial de desenvolvimento. Ao longo dos anos, sua memória foi preservada entre fãs e colegas da música brasileira que reconheciam seu talento interpretativo e sua voz potente.
O álbum 'Alguém cantando' de Moisés Navarro
Trinta e três anos após o falecimento de Jessé, o cantor mineiro Moisés Navarro resolve homenagear o artista através do álbum "Alguém cantando", com lançamento programado para 13 de novembro pela Companhia de Discos do Brasil. O projeto representa uma iniciativa louvável de resgate e celebração da obra do cantor carioca, trazendo novas interpretações de sua discografia.
O título do álbum faz referência direta à composição "Alguém cantando", de autoria de Caetano Veloso, lançada originalmente em 1977 no álbum "Bicho". Jessé havia regravado essa música dez anos depois, incluindo-a no álbum "Eterno menino" de 1987, consolidando a canção como parte importante de seu repertório artístico.
Direção musical e arranjos do novo projeto
A produção musical de "Alguém cantando" conta com a direção do pianista Alexandre Vianna, responsável pelos arranjos das dez faixas que compõem o álbum. Vianna, renomado por seu trabalho em diversas produções musicais, traz uma perspectiva contemporânea aos clássicos interpretados por Jessé, criando uma ponte entre o passado e o presente musical.
O álbum inclui parcerias vocais significativas, como é o caso de "Solidão de amigos", gravada por Moisés Navarro com a participação de Zeca Baleiro e Chico Lobo. Além disso, a versão de "Porto solidão" é apresentada em dueto entre Moisés Navarro e Claudya, mantendo viva a música que marcou o reconhecimento de Jessé no Festival MPB-80.
Análise do repertório e das escolhas artísticas
Uma análise atenta do repertório selecionado para "Alguém cantando" revela escolhas que, embora respeitáveis, se afastam em certa medida da identidade sonora mais fortemente associada a Jessé na memória popular. Grande parte das músicas incluídas, como "A noite do meu bem", "Romaria" e "Irmãos da lua", integram o acervo artístico do homenageado, mas não representam necessariamente seus maiores sucessos ou as composições mais emblemáticas de sua carreira.
Essa estratégia de seleção, apesar de ampliar a perspectiva sobre a versatilidade de Jessé como intérprete, pode enfraquecer o impacto do tributo para o grande público, que naturalmente associa o artista falecido a hits como "Porto solidão", sua música mais reconhecida e celebrada. A inclusão de composições menos populares oferece uma visão mais completa do cantor, mas corre o risco de dilatar o foco da homenagem.
Significado cultural do tributo musical
Projetos como "Alguém cantando" cumprem um papel fundamental na preservação da memória musical brasileira. Ao trazer novamente à tona a obra de artistas falecidos, especialmente aqueles cuja carreira foi interrompida precocemente, contribuem para que gerações mais jovens tenham contato com a riqueza do patrimônio artístico nacional.
Moisés Navarro, ao dedicar um álbum inteiro a Jessé, demonstra respeito pela obra do predecessor e assume a responsabilidade de manter viva sua memória no cenário musical contemporâneo. Independentemente das escolhas de repertório, essa iniciativa reafirma a importância de artistas como Jessé na formação e consolidação da música popular brasileira das décadas de 1970 e 1980.
