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Governo alerta para riscos de sanções dos EUA a instituições bancárias

Ministério da Justiça manifesta preocupação com sanções dos EUA a brasileiros. Governo teme efeitos secundários em instituições financeiras e pede maior coopera...

Governo alerta para riscos de sanções dos EUA a instituições bancárias
Fonte: g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/01/governo-teme-impacto-de-sancoes-dos-eua-a-brasileiros-e-alerta-para-riscos-a-bancos.ghtml

Preocupação do Governo Brasileiro com Sanções Americanas

O Ministério da Justiça do Brasil manifestou preocupação significativa com os possíveis impactos das sanções dos EUA impostas a cidadãos brasileiros investigados por supostas conexões com organizações criminosas. A medida representa um passo adicional nas ações do governo americano contra atividades ilícitas que atravessam as fronteiras entre os dois países.

As sanções dos EUA atingiram Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além de três empresas brasileiras: Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças E Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções De Pagamentos Ltda e Wave Construções Inteligentes Ltda. Portugal também teve uma empresa afetada pela ação americana.

Riscos para o Sistema Financeiro Nacional

A secretária nacional de Justiça, Maria Rosa Guimarães Loula, reiterou que a preocupação do governo brasileiro não se restringe apenas aos indivíduos e empresas diretamente sancionados. Segundo ela, existem temores legítimos quanto aos "efeitos secundários" que poderão afetar terceiros e as instituições financeiras brasileiras como um todo.

"Não defendemos criminosos. O que tememos é que essa espetacularização gere efeitos secundários sobre pessoas que não têm ligação com o crime e sobre instituições financeiras brasileiras", declarou a secretária em entrevista.

Bloqueio de Ativos e Consequências Financeiras

De acordo com o comunicado do governo dos EUA, todos os bens pertencentes aos sancionados que se encontrem no território americano ficarão bloqueados e serão reportados ao Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). Além disso, qualquer empresa que pertença, direta ou indiretamente, em 50% ou mais aos indivíduos sancionados também sofrerá restrições similares.

A medida segue a decisão anterior do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, fato que já havia gerado expectativas sobre possíveis ações contra entidades brasileiras com ligações suspeitas.

Investigações e Alegações de Lavagem de Dinheiro

Segundo as autoridades americanas, Victor Henrique de Oliveira Shimada liderava, a partir de São Paulo, uma estrutura dedicada à lavagem de dinheiro que operava em conjunto com integrantes do PCC baseados na Flórida. O grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões em recursos de origem ilícita, utilizando criptomoedas para transferir valores provenientes do tráfico internacional de drogas.

Victor foi preso preventivamente no Brasil em dezembro de 2024 no âmbito de investigações sobre lavagem de dinheiro relacionadas ao caso Corinthians. Em janeiro de 2025, passou por prisão domiciliar e posteriormente foi liberado após obter habeas corpus mediante pagamento de fiança. Recentemente, foi condenado pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo a cinco anos de reclusão, em regime semiaberto, pelo crime de lavagem de dinheiro.

Divergências entre Autoridades Brasileira e Americana

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, contrariou a narrativa americana ao afirmar que Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira não possuem ligação com o PCC, diferentemente do que apontam as autoridades americanas.

Stella, conforme alegações dos EUA, é parente de Shimada e atuou como sua secretária, funcionando como intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro e fornecendo serviços logísticos para as operações da rede. Ela não possui antecedentes criminais e não responde a qualquer processo judicial.

Análises Financeiras e Conexões Investigativas

Relatório da Polícia Civil de São Paulo indica que Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece em uma cadeia financeira que conecta sua empresa à Wave Intermediações e à UJ Football Talent. A UJ foi mencionada na delação premiada de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach como empresa supostamente relacionada a Danilo Lima de Oliveira, conhecido como "Tripa", apontado pelo delator como membro do PCC.

O relatório também ressalta que Gritzbach surgiu em análises financeiras associadas à Wave, empresa que mantinha intensa movimentação com a Victory Trading. Porém, a investigação não afirma que Victor Shimada seja integrante do PCC, mas sustenta que ele estaria inserido em um fluxo financeiro que se cruza com pessoas e empresas citadas em apurações sobre a facção criminosa.

Apelo por Maior Cooperação Bilateral

A secretária nacional de Justiça defendeu maior cooperação entre Brasil e Estados Unidos, afirmando que o avanço das investigações americanas foi possível graças ao trabalho realizado pelas autoridades brasileiras. Segundo ela, as informações compartilhadas pelo Brasil contribuíram para as apurações americanas, mas o intercâmbio de dados poderia ter sido muito mais amplo.

"Não acreditamos em medidas unilaterais. Os Estados Unidos atuaram com base em informações e conceitos que saíram do Brasil. Se tivessem compartilhado mais informações conosco, poderíamos ajudá-los", afirmou a secretária.

Precedentes Internacionais e Riscos Sistêmicos

Como exemplo dos riscos potenciais às instituições financeiras, a secretária citou o caso do México. Em junho, os Estados Unidos anunciaram sanções contra três importantes instituições financeiras mexicanas — o CIBanco, o Intercam Banco e a corretora Vector Casa de Bolsa —, acusadas de facilitar operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao tráfico de drogas.

Essas medidas restringiram significativamente o acesso dessas instituições ao sistema financeiro americano, demonstrando os efeitos deletérios que sanções podem ocasionar em todo o setor bancário de um país, não apenas aos diretamente afetados. O governo brasileiro utiliza este precedente para reforçar suas preocupações quanto aos possíveis efeitos colaterais que as sanções dos EUA poderiam gerar na economia nacional.

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