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EUA rejeita alerta do Itamaraty sobre ação militar

Estados Unidos classifica como absurda preocupação brasileira sobre possível intervenção militar após designar PCC e CV como terroristas.

EUA rejeita alerta do Itamaraty sobre ação militar
Fonte: g1.globo.com/mundo/noticia/2026/07/07/eua-chamam-de-absurda-avaliacao-do-itamaraty-sobre-risco-de-acao-militar-no-brasil.ghtml

Tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos

A classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos gerou uma resposta contundente do governo Trump ao Itamaraty. A ação militar Brasil tornou-se centro de uma disputa diplomática entre os dois países, com Washington rejeitando as preocupações levantadas pelo ministério das Relações Exteriores brasileiro.

O governo americano, através do Departamento de Estado, qualificou como "absurda" a avaliação do Itamaraty de que a decisão de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pudesse abrir espaço para intervenções militares em solo brasileiro.

Resposta oficial norte-americana

Em comunicado enviado à imprensa nesta terça-feira (7), porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos estão adotando medidas com base em legislação própria para combater os grupos criminosos brasileiros. Segundo o órgão, as facções operadas pelo PCC e CV nos territórios americanos justificam a ação militar Brasil como medida preventiva.

"Esse comentário sobre risco de uma ação militar é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas. Essas facções brasileiras agora operam nos Estados Unidos, e defenderemos nosso povo delas", declarou o porta-voz.

A declaração norte-americana também incluiu críticas veladas ao governo brasileiro, sugerindo que alegações sobre possível intervenção militar poderiam servir como pretexto para favorecer grupos criminosos violentos.

Preocupações brasileiras com designação terrorista

Em julho, o ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira encaminhou documento formal à Câmara dos Deputados expressando preocupações significativas sobre as consequências da designação terrorista. O ministro alertou para possíveis ações unilaterais dos EUA contra instituições brasileiras.

Segundo Vieira, a classificação unilateral do PCC e CV como organizações terroristas poderia servir como justificativa legal para ações extraterritoriais norte-americanas. O documento menciona especificamente riscos no âmbito financeiro, migratório, penal e, de forma mais preocupante, a possibilidade de intervenção militar.

"A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional", afirmou o ministro ao Congresso Nacional.

Falta de comunicação prévia

O ministro também criticou a falta de comunicação formal antes da decisão americana. Segundo Vieira, o governo brasileiro não foi previamente notificado sobre a designação terrorista antes do anúncio feito pelo secretário de Estado Marco Rubio em junho.

O Brasil se opôs formalmente à classificação das facções como organizações terroristas, argumentando que a medida não traria benefícios substantivos ao combate ao crime organizado e poderia gerar consequências negativas para o país.

Primeira rodada de sanções econômicas

Logo após a designação terrorista, o governo Trump anunciou a primeira série de sanções econômicas direcionadas contra suspeitos de ligação com o PCC. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou restrições contra dois brasileiros, três empresas baseadas no Brasil e uma empresa portuguesa.

As medidas incluem bloqueio de bens localizados nos EUA e restrições a transações financeiras envolvendo os alvos designados. Entre os punidos estão Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.

No setor empresarial, as organizações atingidas pelas sanções foram: Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda, Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda, Wave Construções Inteligentes Ltda e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda.

Contexto da disputa bilateral

A escalada tensão entre Brasil e Estados Unidos reflete divergências fundamentais nas estratégias de segurança nacional. Enquanto Washington busca combater grupos criminosos que operam em seu território, Brasília expressa preocupação com implicações geopolíticas da designação terrorista.

A ação militar Brasil permanece como ponto crítico nesta disputa, evidenciando a complexidade das relações bilaterais em contexto de administração Trump, marcada por abordagens mais assertivas em política externa.

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