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Deportação de afegãos para Talibã gera alerta

Trump planeja deportar afegãos detidos nos EUA via Paquistão. Grupos de direitos humanos alertam para risco de represálias do Talibã contra deportados.

Deportação de afegãos para Talibã gera alerta
Imagem: g1.globo.com. Uso informativo; os direitos pertencem ao seu titular.

Plano de deportação de afegãos gera preocupação internacional

A administração Trump está preparando uma operação massiva de deportação de afegãos que se encontram detidos nos Estados Unidos, com destino ao Paquistão e posterior encaminhamento ao Afeganistão. De acordo com documentos judiciais obtidos pela agência Associated Press, essa medida de deportação de afegãos representa um risco significativo para a vida dessas pessoas, segundo advertências de organizações especializadas em direitos humanos.

Os voos de repatriação estavam programados para partir da Louisiana já na segunda-feira, utilizando centros de detenção e processamento mantidos pela Agência de Imigração e Alfândega (ICE). A estratégia de enviar os deportados através do Paquistão antes de chegarem ao Afeganistão levanta questões sobre a segurança pessoal dos indivíduos e possíveis violações de direitos internacionais.

Preocupações com represálias do regime talibã

Organizações defensoras dos direitos dos imigrantes manifestam profunda preocupação com a deportação de afegãos, uma vez que muitos fugiram da perseguição no Afeganistão após auxiliarem as Forças Armadas americanas e organizações humanitárias. Essas pessoas enfrentam risco significativo de represálias por parte do Talibã caso retornem ao país.

Shawn VanDiver, veterano da Marinha dos EUA e presidente do grupo #AfghanEvac, criticou duramente a medida, afirmando que "isso é absolutamente inconcebível" e que "parece que não há limites para a disposição deles em infringir a lei e violar os direitos humanos."

A Human Rights First, organização que monitora voos de repatriação dos EUA, confirmou no sábado ter identificado um voo programado da Louisiana para o Paquistão na terça-feira transportando múltiplos imigrantes afegãos. Savitri Arvey, diretora de políticas da organização, descreveu a ação como "extremamente ultrajante", alertando que deportação de afegãos para essas circunstâncias os coloca "diretamente nas mãos do Talibã."

Precedentes de deportações controversas

Este não é o primeiro caso de deportações questionáveis realizadas sob a administração Trump. Anteriormente, o governo deportou cristãos iranianos convertidos e dissidentes políticos para o Irã via Catar e Kuwait, além de um dissidente russo enviado para a Rússia através do Egito. Essas operações ocorreram sem confirmação clara de que os deportados possuíam proteções legais adequadas.

Documentos judiciais revelam que o governo Trump já realizou deportações de afegãos para países que não seus de origem em diversos casos, algumas vezes alegando ausência de relações diplomáticas formais com o governo talibã, e em outras ocasiões utilizando essas medidas como estratégia de dissuasão migratória.

Posições de juízes de imigração e questões legais

Em muitos processos, juízes de imigração dos EUA determinaram que as vidas de certos indivíduos estariam em risco caso fossem enviados para suas nações de origem. Porém, não ficou imediatamente claro se os afegãos designados para retornar ao Afeganistão possuem ordens judiciais de proteção que os impeçam de serem enviados para lá.

Um documento apresentado em tribunal federal na Virgínia na sexta-feira reconheceu que um imigrante afegão estava programado para embarcar em voo fretado de Alexandria, na Louisiana, com destino ao Paquistão e "posterior transporte para o Afeganistão". Similar situação foi revelada em processo judicial federal em Oklahoma, onde promotores apresentaram documentação indicando que outro afegão seria deportado na semana seguinte.

Críticas do Congresso e posicionamentos políticos

Membros democratas do Congresso posicionaram-se contra a medida após conhecerem os detalhes da operação. A senadora Jeanne Shaheen publicou que "é repreensível que o governo Trump planeje deportar centenas de afegãos, incluindo mulheres, crianças e aqueles que apoiaram as forças americanas, para o Paquistão", acrescentando que esses indivíduos "correm o risco de serem enviados de volta para as mãos do Talibã."

O senador Richard Blumenthal enfatizou que os Estados Unidos havia feito promessas aos aliados afegãos de não os abandonar após ajudarem a proteger tropas americanas durante o conflito no Afeganistão, denunciando que "esta administração está traindo essa promessa, deportando-os para uma possível tortura e morte."

Mudanças nas políticas de reassentamento de refugiados

Ao iniciar seu segundo mandato, Trump suspendeu o programa de reassentamento de refugiados afegãos que havia sido implementado pela administração anterior. Essa decisão integra uma série de decretos executivos destinados a restringir significativamente a imigração, incluindo alterações drásticas nos critérios de admissão.

Entre as mudanças implementadas está a priorização de imigrantes de certas origens em detrimento de outras, criando disparidades evidentes nas políticas de imigração. Em setembro, o governo havia finalizado uma prorrogação de última hora para evitar o fechamento de um campo no Catar que abriga mais de mil afegãos que auxiliaram no esforço de guerra americano ou que são parentes de militares dos EUA, com o funcionamento da base de As Sayliyah estendido por nove meses.

Situação dos deslocados e perspectivas futuras

As mudanças na política imigratória deixaram milhares de pessoas que fugiram da guerra e da perseguição abandonadas em locais estratégicos ao redor do mundo, incluindo a base no Catar. Muitos desses indivíduos passaram por longos e rigorosos processos de seleção, esperando pela oportunidade de começar uma nova vida nos Estados Unidos.

A situação representa um dilema complexo sobre responsabilidades humanitárias e segurança nacional, levantando questões importantes sobre compromissos internacionais e obrigações morais com indivíduos que colaboraram com agências e militares americanos em operações no exterior. O desenrolar dessa operação de deportação de afegãos permanece sob escrutínio de organizações de direitos humanos e órgãos legislativos.

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