Americanas vende Imaginarium e Puket para BandUP! por R$ 152 milhões
Americanas conclui venda da Uni.Co, holding dona da Imaginarium e Puket, para BandUP! por R$ 152,9 milhões. Primeira parcela de R$ 20 mi recebida.

Americanas conclui venda de marca icônica para BandUP! em operação de R$ 152,9 milhões
A varejista Americanas finalizou, na quinta-feira (2), a venda Americanas Imaginarium e da marca Puket através da Uni.Co, holding controladora destas operações. A transação com a BandUP! soma R$ 152,9 milhões, sendo que a empresa recebeu R$ 20 milhões como primeira parcela do valor total. A operação integra o plano estratégico de recuperação judicial que a companhia executa desde janeiro de 2023.
Conforme informações divulgadas pela Americanas, parte dos recursos obtidos nesta venda Americanas Imaginarium foi destinada ao custeio da própria transação comercial. O montante restante foi alocado para amortização extraordinária da 22ª emissão de debêntures não conversíveis em ações da companhia, representando pagamento antecipado de passivos não previstos no cronograma original de desembolsos.
Estrutura de pagamento e BandUP!
A BandUP! é uma empresa especializada na comercialização de produtos oficiais licenciados de franquias consagradas como Harry Potter, Disney e Cartoon Network. O restante do valor será pago à Americanas em cinco parcelas anuais, com valores iguais e sucessivos, tendo o vencimento da primeira parcela previsto para um ano após a data de fechamento.
Os valores referentes às parcelas futuras serão corrigidos pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário), considerando o período entre a data de fechamento da operação e a data efetiva do pagamento. Esta estrutura de parcelamento reflete a dinâmica típica de operações de venda de ativos corporativos de grande vulto, permitindo melhor fluxo de caixa para ambas as partes envolvidas.
Contexto de recuperação judicial
A Americanas ingressou em processo de recuperação judicial em janeiro de 2023, após a revelação de inconsistências contábeis significativas em suas demonstrações financeiras. A empresa identificou um rombo estimado superior a R$ 20 bilhões relacionado à contabilização inadequada de operações com fornecedores, fato que desencadeou grave crise financeira e consequentes disputas com credores da instituição.
Desde o início do processo de recuperação, a varejista tem implementado uma série de medidas previstas no plano aprovado, incluindo venda de ativos estratégicos, renegociação de obrigações financeiras e reestruturação operacional. O objetivo central destas ações concentra-se na redução significativa do endividamento corporativo e no reequilíbrio das contas contábeis da empresa.
Investigação federal sobre fraudes contábeis
Na semana anterior ao fechamento da venda Americanas Imaginarium, a Polícia Federal iniciou a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga as fraudes contábeis na organização. Segundo laudos técnicos periciais já elaborados, a estimativa de prejuízo acumulado alcança aproximadamente R$ 54 bilhões, montante substancialmente superior ao inicialmente identificado pela empresa.
Entre os investigados encontram-se nomes de relevância corporativa, incluindo Paulo Alberto Lemann, filho do bilionário Jorge Paulo Lemann que é acionista de referência das Americanas, Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Eduardo Saggioro Garcia e outros profissionais ligados a instituições financeiras que mantinham relacionamento comercial com a companhia.
Posicionamento dos acionistas
Em comunicado oficial, as Americanas reafirmou que não figurou como alvo direto da operação de investigação e que permanece colaborando integralmente com as autoridades competentes. A nota enfatiza o compromisso contínuo com as investigações conduzidas pelas autoridades públicas.
Os acionistas de referência da companhia divulgaram que entendem a operação como parte natural do processo de investigação em andamento. Através de documento formal, reiteram seu compromisso de colaboração plena com as autoridades competentes para esclarecimento completo dos fatos, informando que tal colaboração ocorre desde 11 de janeiro de 2023, data em que tiveram conhecimento das fraudes contábeis que afetaram a instituição.
