Novo relatório divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que o Brasil deve focar no objetivo de alcançar um déficit zero nas contas públicas para conter o preocupante endividamento do país. De acordo com o relatório, para que isso seja possível, reformas estruturais precisariam ser adiadas para um prazo mais longo, estabelecido em 2027.
Com a economia ainda enfrentando dificuldades para se recuperar da crise provocada pela pandemia do coronavírus, o governo federal tem como prioridade o controle das despesas públicas. A meta de zerar o déficit primário até 2022, que já era um desafio antes da crise, tornou-se ainda mais urgente diante do aumento dos gastos emergenciais.
Para entender melhor o cenário atual, é importante ter em mente que o déficit primário é o resultado negativo entre as receitas e as despesas do governo, sem contar os gastos com juros da dívida. Ou seja, é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, excluindo os juros que paga para rolar os títulos da dívida pública. Quando esse resultado é positivo, temos um superávit primário.
Segundo a IFI, para que o Brasil consiga manter a dívida pública em um nível sustentável, com a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB) abaixo de 80%, seria necessário alcançar um superávit primário de pelo menos 2,5% do PIB. No entanto, para o ano de 2021, a expectativa é de que o país alcance apenas um resultado próximo a 0,0%, indicando que ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Uma das principais razões para essa situação é o elevado desequilíbrio fiscal que o país enfrenta. O governo gasta mais do que arrecada, aumentando a dívida e gerando reflexos negativos na economia, como o aumento da inflação e da taxa básica de juros. Além disso, o alto endividamento compromete os investimentos e contribui para a falta de confiança dos agentes econômicos.
Diante desse desafio, o governo precisa adotar medidas urgentes para controlar as despesas e aumentar as receitas. No entanto, as reformas estruturais necessárias para equilibrar as contas públicas, como a reforma da previdência e a revisão do sistema tributário, não acontecerão a curto prazo. Por isso, a IFI propõe que sejam adiadas para 2027, de forma a priorizar o objetivo de alcançar o déficit zero.
No entanto, é preciso considerar que adiar as reformas estruturais pode trazer consequências no médio e longo prazo, já que o país continuará sujeito aos desequilíbrios fiscais e ao alto endividamento. Por isso, é importante que o governo adote medidas de controle de gastos e melhoria da gestão pública, além de buscar alternativas para o aumento das receitas, como a retomada do crescimento econômico e a atração de investimentos estrangeiros.
Apesar dos desafios, é importante destacar que o Brasil possui uma economia diversificada e potencial para crescer. Portanto, é fundamental que o governo e a sociedade trabalhem juntos para superar essa crise e implementar mudanças estruturais que contribuam para o desenvolvimento econômico de forma sustentável.
Além disso, é preciso lembrar que o déficit primário não é o único responsável pelo endividamento público. A taxa de juros elevada, que tem como principal componente a Selic, também influencia diretamente a dívida ao encarecer os juros pagos pelo governo. Por isso







