Há que repensar o modelo da admissão e de formação nas forças de segurança, acredita o inspetor-geral da Administração Interna sobre os alegados casos de tortura e violação na esquadra do Rato, em Lisboa.
Nos últimos meses, a esquadra do Rato, em Lisboa, tem sido alvo de graves acusações de tortura e violação por parte de detidos. Estes casos têm gerado uma onda de indignação e preocupação na sociedade portuguesa, levantando questões sobre a conduta e formação dos agentes das forças de segurança.
Diante desta situação, o inspetor-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira, defende que é necessário repensar o modelo de admissão e formação dos agentes das forças de segurança. Em entrevista recente, a inspetora-geral afirmou que é preciso “refletir sobre o processo de seleção e formação dos agentes, de forma a garantir que estes estejam preparados para lidar com situações de tensão e conflito sem recorrer à violência”.
De fato, é fundamental que os agentes das forças de segurança tenham uma formação sólida e adequada para lidar com as diversas situações que podem surgir no exercício da sua função. No entanto, é preciso ir além da formação técnica e incluir também uma formação ética e humanística, que promova valores como o respeito pelos direitos humanos e a não violência.
Além disso, é importante que o processo de seleção dos agentes seja mais rigoroso e criterioso, de forma a garantir que apenas os candidatos com perfil adequado sejam admitidos. É necessário avaliar não apenas as habilidades técnicas, mas também as características pessoais e a capacidade de lidar com situações de conflito de forma pacífica.
Outro ponto que deve ser repensado é o acompanhamento e supervisão dos agentes no exercício da sua função. É preciso que existam mecanismos eficazes de controle e fiscalização, de forma a garantir que as ações dos agentes estejam sempre em conformidade com a lei e os direitos humanos.
É importante ressaltar que a grande maioria dos agentes das forças de segurança cumpre com excelência o seu papel de proteger e servir a sociedade. No entanto, casos como os que ocorreram na esquadra do Rato mostram que ainda há muito a ser feito para garantir que todos os agentes estejam preparados e comprometidos com a defesa dos direitos humanos.
Neste sentido, é fundamental que haja uma mudança de mentalidade e cultura dentro das forças de segurança. É preciso que os agentes entendam que o uso da violência não é a solução para resolver conflitos e que é possível atuar de forma pacífica e respeitosa, mesmo em situações de grande tensão.
Além disso, é necessário que haja uma maior transparência e prestação de contas por parte das forças de segurança. A sociedade tem o direito de saber como são selecionados, formados e supervisionados os agentes que têm o poder de usar a força em nome do Estado.
Em suma, os alegados casos de tortura e violação na esquadra do Rato, em Lisboa, são um alerta para a necessidade de repensar o modelo de admissão e formação nas forças de segurança. É preciso que haja uma mudança de paradigma, que coloque os direitos humanos e a não violência no centro da atuação dos agentes. Somente assim poderemos garantir uma sociedade mais justa e pacífica, onde todos possam viver em segurança e respeito.







