O Brasil é um país que possui uma das maiores taxas de juros do mundo, o que é um desafio para o governo e também para a economia doméstica. Mas apesar dessa situação, o país tem conseguido manter um crescimento constante em sua economia. Essa realidade tem desafiado as autoridades econômicas a encontrarem formas de equilibrar esses dois fatores.
No último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, foi decidido que a taxa básica de juros (Selic) permaneceria em 6,5% ao ano, o menor nível da história, desde que a Selic foi criada em 1986. Essa decisão foi fruto de diversas ações do governo, em conjunto com o Banco Central, para estimular o crescimento econômico do país.
No entanto, apesar das sucessivas reduções da Selic, a taxa de juros no Brasil ainda é considerada alta em comparação com outros países. E essa é uma questão que vem sendo debatida por especialistas e economistas, buscando entender as razões e possíveis soluções para essa situação.
Uma das principais razões apontadas é a inércia da inflação. No passado, o Brasil já passou por altos índices inflacionários, o que gerou uma cultura de proteção dos investimentos através de juros altos. Esse cenário gerou uma expectativa de rentabilidade maior no mercado financeiro, o que incentivou a manutenção de juros elevados mesmo em períodos de baixa inflação.
Além disso, o país possui uma grande parte da sua dívida pública atrelada à taxa Selic, o que torna a sua redução mais onerosa para os cofres públicos. Isso demonstra a interdependência entre as políticas fiscal e monetária, uma vez que a redução da dívida seria uma medida importante para possibilitar a queda mais acentuada dos juros.
Outro fator que influencia a taxa de juros é a baixa produtividade da economia brasileira. A falta de investimentos em infraestrutura, tecnologia e educação no país dificulta o crescimento da produtividade, o que diminui a atratividade de investimentos para o setor privado e contribui para a manutenção de juros elevados.
No entanto, apesar desses desafios, a economia brasileira tem acompanhado um crescimento constante. Em 2019, o PIB cresceu 1,1%, segundo o IBGE, e a expectativa para os próximos anos é de um crescimento ainda maior. Isso demonstra a resiliência da economia brasileira e também a importância de manter uma política monetária responsável.
Para Luiz Alexandre Galípolo, economista-chefe da XP Investimentos, “o desafio atual é normalizar os canais de transmissão da política monetária”. Ou seja, é necessário que a redução dos juros seja de fato sentida pelos consumidores e empresários, estimulando o aumento do consumo e do investimento no país.
Para isso, é fundamental que o governo continue trabalhando em medidas econômicas estruturais, como a reforma da Previdência, que já foi aprovada, e a reforma tributária, que está em discussão. Essas reformas são importantes para garantir a sustentabilidade das contas públicas e incentivar o investimento e o crescimento econômico a longo prazo.
Além disso, é necessário que o Banco Central continue atuando de forma independente e responsável, buscando manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Isso traz maior previsibilidade para a economia e contribui para a redução dos juros no longo prazo.
Outra medida importante é a ampliação do acesso ao crédito. Com uma política monetária expansionista, é possível que os bancos reduz







