Um estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, revelou um importante avanço na compreensão da evolução da vida complexa na Terra. Através da análise de fósseis de microrganismos, os cientistas descobriram que as arqueias de Asgard, nossas ancestrais, já viviam em ambientes com oxigênio há cerca de 3.2 bilhões de anos, muito antes do surgimento dos animais.
Para entendermos a importância dessa descoberta, é preciso primeiro compreender o papel das arqueias de Asgard na evolução da vida. Esses microrganismos, que pertencem ao grupo das arqueias, são considerados os parentes mais próximos das eucariontes, que englobam todos os seres vivos que possuem células complexas, como plantas, animais e fungos.
Durante muito tempo, acreditou-se que as arqueias e as bactérias eram os únicos organismos unicelulares existentes na Terra. No entanto, a descoberta das arqueias de Asgard, em 2015, trouxe uma nova perspectiva para a evolução da vida. Esses microrganismos apresentam características semelhantes às células eucarióticas, como a presença de núcleo e organelas celulares, o que sugere que elas podem ter sido as responsáveis pelo surgimento dessas células mais complexas.
Apesar disso, ainda não se sabia exatamente quando e como as arqueias de Asgard surgiram. E foi justamente essa lacuna que o estudo da Universidade de Uppsala veio preencher. Os pesquisadores analisaram amostras de rochas sedimentares da Austrália, que datam de 3.2 bilhões de anos atrás, e encontraram vestígios de lipídios característicos das arqueias de Asgard. Esses lipídios são moléculas presentes nas membranas celulares e servem como uma espécie de impressão digital dos microrganismos.
A partir desses vestígios, os cientistas conseguiram concluir que essas arqueias já habitavam ambientes com oxigênio e luz solar, contrariando a hipótese de que elas só teriam surgido em ambientes extremamente hostis, como fontes hidrotermais. Além disso, a presença de oxigênio em seu ambiente indica que essas arqueias já possuíam sistemas de defesa contra o gás tóxico, o que sugere um alto grau de complexidade.
Essa descoberta é um importante passo para compreendermos a evolução das células eucarióticas e, consequentemente, da vida complexa na Terra. Afinal, é a partir dessas células que surgem organismos multicelulares, como animais e plantas, que dominam o nosso planeta.
Além disso, essa pesquisa também tem implicações importantes para a busca por vida em outros planetas. Ao descobrir que as arqueias de Asgard já viviam em ambientes com oxigênio há bilhões de anos, os cientistas podem ampliar a busca por vida em planetas que possuam atmosferas semelhantes à Terra, uma vez que a presença de oxigênio é um importante indicador de atividade biológica.
Por fim, é importante ressaltar que essa descoberta só foi possível graças ao avanço da tecnologia e dos métodos de análise utilizados pelos pesquisadores. Eles destacam que é essencial continuar a explorar as rochas antigas para descobrir mais sobre a evolução da vida complexa.
Portanto, podemos concluir que o estudo das arqueias de Asgard é fundamental para entendermos a origem da vida na Terra e ampliarmos nosso conhecimento







