A recente iniciativa do governo, através do Ministério da Fazenda, em disponibilizar uma ferramenta online para que jogadores possam solicitar a exclusão de suas contas em sites de apostas tem sido um sucesso. Segundo dados divulgados pelo próprio órgão, já foram registrados mais de 217 mil pedidos de autoexclusão em todo o país.
Isso representa quase 40% do total de jogadores cadastrados nos sites de apostas no Brasil. E, mais surpreendente ainda, é o motivo alegado pela maioria dos usuários para efetuar o pedido: a “perda de controle sobre o jogo”. Isso significa que, entre os jogadores que decidiram se excluir das plataformas de apostas online, a grande maioria reconhece que o hábito de jogar estava tomando proporções preocupantes em suas vidas.
Ao oferecer essa ferramenta, o governo brasileiro não apenas está cumprindo com seu papel de regulamentar e fiscalizar as atividades de jogos de azar no país, mas também está promovendo a conscientização sobre os riscos do vício em jogos de apostas. De acordo com estudos, o comportamento aditivo é uma das principais causas do endividamento e de problemas de saúde mental na população.
Além disso, a iniciativa também demonstra a preocupação do governo com a proteção dos jogadores. Ao permitir que cada indivíduo tenha total controle sobre suas ações e possa escolher se quer ou não continuar apostando, o objetivo é promover o jogo responsável e evitar que vícios se desenvolvam.
É importante ressaltar que a autoexclusão não é a única medida adotada pelo governo para combater possíveis abusos no setor de apostas. Desde 2018, está em vigor a Lei 13.756/18, que instituiu a criação do Cadastro Nacional de Jogadores Excluídos (CNEJ). Com esse registro, é possível identificar e monitorar jogadores reincidentes e, em casos extremos, até mesmo proibir o acesso a sites de apostas.
Com isso, o governo brasileiro se junta a outros países, como Reino Unido, Portugal e Austrália, que já possuem sistemas semelhantes de autoexclusão e listas de jogadores banidos. E os resultados têm sido positivos. De acordo com estudos feitos no Reino Unido, após a implementação do sistema de autoexclusão, houve uma significativa redução no número de jogadores patológicos.
É importante destacar que a exclusão voluntária não resolve todos os problemas relacionados ao jogo compulsivo. É fundamental que haja também uma conscientização por parte dos próprios jogadores sobre os perigos e impactos negativos do vício em apostas. Além disso, é necessário que o setor de apostas tenha suas atividades regulamentadas e fiscalizadas de maneira efetiva para garantir a transparência e a segurança dos usuários.
A disponibilização da ferramenta de autoexclusão é apenas o primeiro passo para a criação de uma cultura de jogo responsável no Brasil. É preciso que o governo continue a investir em campanhas de conscientização e na implementação de políticas de proteção aos jogadores. Além disso, é fundamental que haja uma cooperação entre o poder público e as empresas de apostas para garantir uma atuação ética e sustentável no setor.
Enfrentar o vício em jogos de azar não é uma tarefa fácil. Mas é através de medidas como a autoexclusão que podemos dar os primeiros passos para promover uma relação saudável e consciente com os jogos de apostas. E, acima de tudo, é necessário que haja um forte apoio e suporte para aqueles que lutam contra o vício. A mensagem que fica é: jogue com responsabilidade e, caso sinta que está perdendo o controle, busque ajuda e







