O Ministério da Saúde do Brasil anunciou recentemente que a vacina recombinante contra o herpes-zóster, conhecida como Shingrix, não será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi tomada após uma avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que considerou o custo elevado da vacina em relação aos benefícios que ela traria para a população.
O herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, é uma doença viral causada pelo mesmo vírus da catapora. Ela se manifesta através de uma erupção cutânea dolorosa e pode deixar sequelas graves, como a neuralgia pós-herpética, que é uma dor crônica que pode durar meses ou até anos após a infecção. Estima-se que cerca de 30% das pessoas que tiveram catapora desenvolvam herpes-zóster em algum momento da vida, principalmente após os 50 anos de idade.
A vacina Shingrix é considerada a mais eficaz na prevenção do herpes-zóster, com uma taxa de eficácia de 97%. Ela é recomendada para pessoas a partir dos 50 anos de idade, incluindo aquelas que já tiveram a doença anteriormente ou que foram vacinadas com a outra vacina disponível no mercado, a Zostavax. Além disso, a Shingrix também é indicada para pessoas imunocomprometidas, como pacientes com HIV ou que passaram por transplante de órgãos.
No entanto, a Conitec avaliou que o custo da vacina Shingrix é muito alto em relação aos benefícios que ela traria para a população. O preço de cada dose é de aproximadamente R$ 600, e são necessárias duas doses para garantir a proteção completa contra o herpes-zóster. Isso significa que o custo total para vacinar uma pessoa seria de R$ 1200, o que torna inviável a sua incorporação ao SUS.
A decisão do Ministério da Saúde foi baseada em critérios técnicos e econômicos, levando em consideração a sustentabilidade do sistema de saúde e a disponibilidade de recursos. A Conitec também avaliou que a vacina não é considerada uma prioridade para a saúde pública, já que o herpes-zóster não é uma doença de grande impacto na população brasileira.
Apesar da não incorporação da vacina ao SUS, ela continuará disponível na rede privada, podendo ser adquirida por quem desejar se proteger contra o herpes-zóster. Além disso, o Ministério da Saúde reforça a importância da prevenção através de medidas simples, como manter uma boa higiene pessoal, evitar o contato com pessoas infectadas e manter o sistema imunológico fortalecido.
É importante ressaltar que a decisão do Ministério da Saúde não significa que a vacina Shingrix não é eficaz ou que não traria benefícios para a população. Ela é considerada uma vacina segura e eficaz pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e já é utilizada em diversos países. No entanto, é necessário avaliar os custos e benefícios de sua incorporação ao SUS, levando em consideração a realidade do sistema de saúde brasileiro.
Em resumo, a decisão do Ministério da Saúde de não incorporar a vacina Shingrix ao SUS foi baseada em critérios técnicos e econômicos, visando a sustentabilidade do sistema de saúde e a disponibilidade de recursos. Apesar disso, a vacina continua disponível na rede privada e é uma opção para quem deseja se proteger contra o herpes-zóster. É importante lembrar que a prevenção é sempre a melhor opção e que medidas simples podem ajudar a evitar a doença.






