A Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CMPME) é uma entidade que representa os interesses das empresas de menor porte no Brasil. Recentemente, a confederação expressou preocupação com os possíveis impactos do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia nas micro e pequenas empresas (MPEs) brasileiras. Segundo a CMPME, há o receio de que os benefícios do acordo não cheguem de forma igualitária a todas as empresas, principalmente as do setor agrícola, e que isso possa resultar em um abandono da produção por parte dessas empresas.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia foi anunciado em junho deste ano, após 20 anos de negociações. Ele prevê a liberalização de tarifas e a facilitação do comércio entre os dois blocos econômicos, o que deve gerar um aumento nas exportações brasileiras, principalmente de produtos agrícolas. No entanto, a CMPME teme que as MPEs não sejam capazes de acompanhar essa demanda e que isso possa prejudicar sua atuação no mercado.
De acordo com a confederação, as MPEs são responsáveis por cerca de 27% do PIB brasileiro e geram mais de 50% dos empregos formais no país. Por isso, é fundamental que essas empresas sejam incluídas nas discussões e decisões sobre o acordo comercial, a fim de garantir que seus interesses sejam protegidos. A CMPME ressalta que as MPEs possuem características e necessidades diferentes das grandes empresas e, por isso, precisam de medidas específicas para que possam se beneficiar do acordo.
Uma das principais preocupações da confederação é com o setor agrícola, que é responsável por grande parte das exportações brasileiras para a União Europeia. A CMPME acredita que as MPEs do setor podem ser prejudicadas pela concorrência de grandes empresas europeias, que possuem mais recursos e capacidade de produção. Além disso, há o receio de que as MPEs não tenham acesso às informações e recursos necessários para se adaptarem às exigências do mercado europeu, o que pode resultar em um abandono da produção.
A CMPME também alerta para os riscos de um possível abandono da produção por parte das MPEs em outros setores, como o de confecções e calçados, que também possuem forte presença no mercado europeu. A falta de condições para competir com empresas de grande porte pode levar essas empresas a fecharem as portas, causando um impacto negativo na economia e no emprego.
Diante desse cenário, a CMPME tem buscado dialogar com as autoridades responsáveis pelo acordo, a fim de garantir que as MPEs sejam incluídas nas discussões e que medidas de proteção sejam adotadas. A confederação defende a criação de programas de capacitação e incentivos fiscais para que as MPEs possam se adaptar às exigências do mercado europeu e se beneficiar do acordo.
Além disso, a CMPME também ressalta a importância de uma política de compras governamentais que priorize as MPEs, a fim de estimular o mercado interno e fortalecer essas empresas. A confederação também defende a criação de um fundo de garantia para as MPEs, que possa ser utilizado para o financiamento de exportações e para a aquisição de tecnologias que permitam a competitividade dessas empresas no mercado internacional.
Apesar das preocupações da CMPME, é importante ressaltar que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia também pode trazer benefícios para as MPEs brasileiras. Com a redução de tarifas e a facilitação do comércio, as empresas de menor porte terão acesso a novos mercados e poderão







