Foco se volta para possibilidade de corte da Selic em janeiro em economia com desempenho desigual
No final de 2019, a economia brasileira apresentou sinais de recuperação após um longo período de crise. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,6% no terceiro trimestre do ano, e a inflação permaneceu sob controle, garantindo estabilidade no poder de compra da população. No entanto, com a chegada de 2020, a perspectiva de crescimento igualitário entre os diferentes setores da economia parece não estar mais tão clara.
Enquanto alguns segmentos apresentam resultados positivos, como o setor de serviços, outros ainda sofrem com a falta de investimentos e baixo desempenho, como o agronegócio. A discussão agora se volta para a possibilidade de um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, que poderia estimular a retomada do crescimento em todos os setores da economia.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central é o órgão responsável por definir a Selic, que atualmente está em 4,5% ao ano, a menor da história. O objetivo da taxa é controlar a inflação e estimular o crescimento econômico, e suas alterações geram impactos diretos em diversos setores da economia.
Com a redução da Selic, os juros para empréstimos e financiamentos também diminuem, incentivando o consumo e os investimentos. Além disso, a Selic serve de referência para outras taxas de juros, como a taxa de juros do crédito imobiliário. Assim, quando a Selic é reduzida, o custo do financiamento imobiliário também diminui, o que pode impulsionar o setor da construção civil.
Portanto, um novo corte na Selic poderia trazer benefícios para diversos setores da economia brasileira. No entanto, a decisão não é tão simples assim. O Copom leva em consideração diversos fatores, como a inflação atual e as perspectivas para o futuro, antes de definir a taxa.
De acordo com dados do Boletim Focus do Banco Central, a previsão é que a inflação encerre 2020 em 3,53%, abaixo da meta estabelecida pelo governo, que é de 4%. Além disso, a taxa de desemprego registrou queda e ficou em 11,8% no terceiro trimestre de 2019, o que também indica uma melhora no cenário econômico do país.
No entanto, o cenário de desigualdade entre os setores da economia é o que mais tem preocupado os especialistas. Em dezembro de 2019, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) apontou que o setor de serviços cresceu pelo terceiro mês consecutivo, enquanto o setor industrial apresentou queda.
Além disso, o agronegócio, que é responsável por cerca de 21% do PIB do país, não está conseguindo acompanhar o ritmo de crescimento esperado. Em 2019, as exportações do setor caíram 4,3% em relação ao ano anterior, devido principalmente à diminuição da demanda da China, um dos maiores compradores de produtos agrícolas do Brasil.
Diante desse cenário desigual, alguns especialistas acreditam que o Banco Central poderá usar a redução da Selic como uma ferramenta para estimular o crescimento desses setores. É o caso do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fabio Bentes, que prevê um corte de 0,25 ponto percentual na taxa em janeiro.
No entanto, a decisão não é unânime. Há também quem acredite







