O índice de Justiça Intergeracional é uma medida que avalia a equidade entre as diferentes gerações em uma sociedade. Ele leva em consideração fatores como acesso à educação, oportunidades de emprego, renda e proteção social, entre outros. Infelizmente, um relatório recente apontou que Portugal enfrenta um retrocesso estrutural na equidade entre gerações, agravado pelo período pós-pandemia.
De acordo com o relatório “Justiça Intergeracional em Portugal 2021”, elaborado pelo Conselho Nacional de Justiça Intergeracional (CNJI), o país registrou uma queda significativa no índice de justiça intergeracional nos últimos anos. Em 2019, Portugal ocupava a 17ª posição entre os 28 países da União Europeia, mas em 2021 caiu para a 22ª posição. Isso significa que a desigualdade entre as gerações está aumentando em nosso país.
Um dos principais fatores que contribuíram para essa queda foi a pandemia de COVID-19. O relatório aponta que a crise sanitária e econômica agravou as desigualdades entre as gerações, especialmente no que diz respeito ao mercado de trabalho. Com o aumento do desemprego e a redução de oportunidades de emprego, os jovens foram os mais afetados, enfrentando dificuldades para ingressar no mercado de trabalho e construir suas carreiras.
Além disso, a pandemia também teve um impacto negativo na educação. Com as escolas fechadas e aulas online, muitos alunos enfrentaram dificuldades de acesso à internet e equipamentos adequados, o que prejudicou seu aprendizado. Isso pode ter consequências a longo prazo, afetando a formação e o futuro desses jovens.
Outro fator preocupante apontado pelo relatório é o aumento da pobreza entre os idosos. Com a crise econômica, muitos aposentados viram suas rendas diminuírem, o que os coloca em situação de vulnerabilidade. Além disso, a falta de políticas públicas efetivas para garantir a proteção social desses idosos também contribui para o agravamento da desigualdade entre as gerações.
Diante desse cenário, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse retrocesso estrutural na equidade entre gerações em Portugal. O relatório do CNJI aponta algumas recomendações, como a criação de políticas públicas que promovam a inclusão dos jovens no mercado de trabalho, o investimento em educação de qualidade e a garantia de proteção social para os idosos.
Além disso, é importante que a sociedade como um todo se mobilize para promover a justiça intergeracional. Isso inclui a conscientização sobre a importância de garantir oportunidades iguais para todas as gerações, bem como a valorização e o respeito pelos idosos, que têm um papel fundamental na transmissão de conhecimentos e valores para as gerações mais jovens.
É preciso também que as empresas e o setor privado assumam sua responsabilidade social e invistam em programas de formação e emprego para os jovens, contribuindo para a redução da desigualdade entre as gerações.
Apesar dos desafios que enfrentamos, é importante mantermos uma visão positiva e motivadora. A pandemia trouxe à tona problemas que já existiam, mas também nos mostrou a importância de trabalharmos juntos para construir uma sociedade mais justa e equilibrada para todas as gerações.
Portugal tem um histórico de superação e resiliência, e temos certeza de que, com esforço e comprometimento, podemos reverter esse retrocesso na equidade entre as gerações e construir um futuro melhor para todos. É hora de agirmos







