A recente janela de isenção das ‘retenciones’ (imposto sobre exportações) na Argentina tem sido motivo de muita discussão e polêmica no setor agropecuário do país. Enquanto as tradings e empresas que atuam na exportação de grãos comemoram os resultados positivos, os produtores rurais estão com um sentimento de amargura e descontentamento.
Em apenas 72 horas, a exportação de grãos garantiu cerca de US$ 7 bilhões para a Argentina, um valor impressionante que reflete a força e importância do agronegócio para a economia do país. No entanto, esse resultado não foi igualmente benéfico para todos os envolvidos no setor.
Segundo a Associação de Produtores Rurais da Argentina (SRA), a janela de isenção das ‘retenciones’ favoreceu apenas as tradings e empresas exportadoras, deixando os produtores com um sentimento de desigualdade e injustiça. Isso porque, apesar da isenção do imposto sobre as exportações, os produtores ainda precisam arcar com os custos de produção, que incluem insumos, mão de obra e transporte.
Além disso, a SRA afirma que a isenção das ‘retenciones’ foi concedida de forma seletiva, beneficiando apenas alguns setores, como a soja e o milho, e deixando de fora outros produtos agrícolas, como o trigo e a carne bovina. Essa falta de equidade na política de isenção do imposto tem gerado um sentimento de descontentamento entre os produtores, que se sentem prejudicados e desvalorizados.
Outra questão levantada pela SRA é o fato de que a janela de isenção das ‘retenciones’ é temporária, com duração prevista de apenas três meses. Isso significa que, após esse período, os produtores voltarão a arcar com o imposto sobre as exportações, o que pode impactar negativamente a rentabilidade do setor e desestimular os investimentos.
Diante desse cenário, a SRA tem solicitado ao governo argentino uma revisão da política de isenção das ‘retenciones’, com o objetivo de garantir uma distribuição mais justa dos benefícios e incentivar o desenvolvimento equilibrado de todos os segmentos do agronegócio. A associação também defende que a isenção do imposto seja permanente, para que os produtores possam planejar seus investimentos e atividades de forma mais segura e sustentável.
Enquanto isso, as tradings e empresas exportadoras aproveitam a janela de isenção das ‘retenciones’ para ampliar suas margens de lucro e fortalecer sua posição no mercado. Isso pode ser visto como uma estratégia legítima de negócio, mas também reforça a necessidade de uma política mais justa e equilibrada por parte do governo.
Apesar das queixas e descontentamentos dos produtores, é importante ressaltar que a exportação de grãos tem um papel fundamental na economia argentina, gerando empregos, divisas e impulsionando o crescimento do país. Por isso, é necessário encontrar um equilíbrio entre os interesses das tradings e empresas exportadoras e os dos produtores rurais, para que o setor agropecuário possa continuar contribuindo de forma sustentável e responsável para o desenvolvimento do país.
É preciso reconhecer que a janela de isenção das ‘retenciones’ trouxe resultados positivos para a Argentina, mas também é necessário ouvir as demandas e preocupações dos produtores e trabalhar em conjunto para encontrar soluções que beneficiem a todos. Afinal, o agronegócio é um setor estratégico e fundamental para a economia do país, e deve ser tratado com respeito, valorização e justiça







