O relatório nacional da última edição do Global Media Monitoring Project (GMMP) foi divulgado esta semana em Coimbra e será apresentado novamente na quarta-feira em Lisboa. Os resultados são preocupantes, mas também servem como um alerta para a necessidade de mudanças na representação das mulheres nos meios de comunicação em Portugal.
O GMMP é um projeto global que monitora a presença e a representação de gênero nos meios de comunicação. A última edição do relatório foi realizada em 94 países, incluindo Portugal, e revelou que apenas 24% das pessoas visíveis no noticiário são mulheres. Essa porcentagem é ainda menor do que a média global de 26%.
Esses números são alarmantes e mostram que ainda há muito a ser feito em relação à igualdade de gênero nos meios de comunicação em Portugal. As mulheres são subrepresentadas em todas as áreas, desde a política até a economia, passando pela cultura e pelo esporte. Isso reflete uma realidade em que as mulheres ainda enfrentam desigualdades e discriminação em diversas áreas da sociedade.
Mas o relatório também aponta para uma oportunidade de mudança. Ao destacar essa disparidade, podemos começar a trabalhar em direção a uma representação mais equilibrada e justa das mulheres nos meios de comunicação. Isso é importante porque os meios de comunicação têm um papel fundamental na formação de opinião e na construção de narrativas sociais.
É preciso que os meios de comunicação assumam a responsabilidade de promover uma representação mais diversa e inclusiva das mulheres. Isso significa dar voz às mulheres em todas as áreas, não apenas nos assuntos considerados “femininos”. Significa também desconstruir estereótipos e preconceitos de gênero que ainda são perpetuados pela mídia.
Além disso, é importante que as mulheres tenham mais espaço e oportunidade para trabalhar nos meios de comunicação. Ainda há uma grande disparidade de gênero nos cargos de liderança e nas equipes de jornalismo. É necessário que haja uma mudança nesse cenário, para que as mulheres possam contribuir com suas perspectivas e experiências na produção de conteúdo.
O relatório também destaca a importância da educação e da conscientização sobre igualdade de gênero. É preciso que as escolas e universidades incluam a discussão sobre gênero em suas grades curriculares, para que as futuras gerações cresçam com uma visão mais igualitária e respeitosa em relação às mulheres.
Além disso, é fundamental que as empresas de mídia adotem políticas e práticas que promovam a igualdade de gênero em seus ambientes de trabalho. Isso inclui a implementação de medidas para combater o assédio e a discriminação de gênero, além de garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres.
O relatório do GMMP é um alerta para a necessidade de mudanças urgentes na representação das mulheres nos meios de comunicação em Portugal. Mas também é uma oportunidade de reflexão e ação para promover uma sociedade mais igualitária e justa para todos. É preciso que todos, incluindo os meios de comunicação, assumam a responsabilidade de construir uma realidade em que as mulheres sejam representadas de forma justa e respeitosa. Juntos, podemos trabalhar em direção a um futuro mais igualitário e inclusivo para todos.







