O mercado brasileiro tem sido um dos poucos pontos positivos em meio à crise econômica mundial causada pela pandemia do novo coronavírus. Nos últimos meses, apesar de alguns solavancos, a economia do país tem mostrado sinais de recuperação, com a retomada de setores importantes como a construção civil e a indústria. No entanto, esse cenário de otimismo ainda depende fortemente de uma variável: o crédito.
Recentemente, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15%, após dois cortes consecutivos. A decisão foi bem recebida pelo mercado, que esperava uma manutenção da taxa, mas também gerou preocupações em alguns setores, como o imobiliário.
A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC) foi uma das entidades que se manifestou após o anúncio da decisão do Copom. A associação, que representa as maiores incorporadoras do país, cobrou um corte nos juros, alegando que a manutenção da Selic em 15% pode prejudicar a recuperação do setor.
De fato, o setor imobiliário foi um dos mais afetados pela crise econômica causada pela pandemia. Com a incerteza econômica e o aumento do desemprego, muitas pessoas adiaram o sonho da casa própria e as vendas de imóveis tiveram uma queda significativa. No entanto, com a retomada gradual da economia, o setor tem mostrado sinais de recuperação, especialmente com a queda dos juros.
A ABRAINC destaca que o setor imobiliário é um dos principais responsáveis pela geração de empregos no país e que um corte nos juros poderia impulsionar ainda mais a retomada do setor. Além disso, a associação ressalta que o mercado imobiliário é um importante catalisador para a economia como um todo, já que movimenta diversos outros setores, como o de materiais de construção e serviços.
Outra entidade que se manifestou após a decisão do Copom foi a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). A associação, que representa os principais bancos que atuam no financiamento imobiliário, seguiu otimista em relação ao mercado e destacou que a manutenção da Selic em 15% é um sinal de estabilidade e confiança na economia brasileira.
A Abecip também ressaltou que, apesar da manutenção da taxa, os juros para financiamento imobiliário continuam em patamares historicamente baixos, o que tem impulsionado a demanda por imóveis. De fato, nos últimos meses, os bancos têm registrado um aumento no número de pedidos de financiamento, o que demonstra a confiança dos consumidores no mercado imobiliário.
No entanto, vale destacar que, apesar da queda dos juros, o acesso ao crédito ainda é um desafio para muitos brasileiros. Com a crise econômica, muitas famílias tiveram sua renda afetada e, consequentemente, sua capacidade de pagamento comprometida. Além disso, os bancos têm se mostrado mais cautelosos na concessão de crédito, o que pode dificultar o acesso de algumas pessoas ao financiamento imobiliário.
Nesse sentido, é importante que as autoridades econômicas e os bancos trabalhem em conjunto para garantir que o crédito continue acessível e estimule a retomada do setor imobiliário. A redução dos juros é apenas um dos fatores que influenciam a demanda por imóveis, mas é um dos mais importantes, principalmente em um momento de incerte







