O Banco Central (BC) tem sido uma figura central na economia brasileira, buscando equilibrar os diversos desafios econômicos e financeiros que afetam o país. Nos últimos meses, tem feito manchetes por sua política monetária, especialmente em relação à Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira.
Recentemente, o Banco destaca três fatores que apontam para a possibilidade de um corte na Selic: a desaceleração da inflação, a melhora das expectativas e a política monetária ainda restritiva. E um grande nome do mercado financeiro, o Bank of America Merrill Lynch (BofA), concorda. Em artigo publicado recentemente, o banco defende que o BC já tem condições de começar a cortar a Selic nesta quarta-feira (19).
A visão do BofA é uma das mais “dovish” (mais suave) do mercado. Isso significa que o banco tem uma visão mais otimista em relação à economia brasileira e ao papel do BC em sua condução. Segundo o BofA, a economia está em um momento favorável para a redução da taxa básica de juros, com condições externas e internas convergindo para uma oportunidade de corte.
Um dos principais motivos apontados pelo BofA é a desaceleração da inflação. Nos últimos meses, o índice oficial de preços, o IPCA, tem apresentado números abaixo da meta estabelecida pelo BC, que é de 4,5% ao ano. Em julho, a inflação ficou em 3,22%, o menor valor para o mês desde 2014. Com essa desaceleração, o BC tem mais espaço para agir de forma mais flexível em relação à taxa de juros.
Além disso, as expectativas para a inflação também estão em queda. Segundo o boletim Focus, elaborado pelo BC com base em projeções de mercado, a expectativa para o IPCA em 2019 está em 3,71%, abaixo da meta. Para 2020, a expectativa é de 3,90%. Isso mostra que os agentes do mercado também acreditam que a inflação deve se manter controlada nos próximos anos, o que reforça a perspectiva de um corte na Selic.
Outro fator apontado pelo BofA é a política monetária ainda restritiva. A taxa Selic está em 6% ao ano desde julho, no menor patamar histórico. Mesmo assim, é considerada restritiva, pois ainda está acima do nível neutro, ou seja, que não estimula nem desestimula a atividade econômica. Com a tendência de queda da inflação e das expectativas, o BC poderia reduzir a Selic sem comprometer a estabilidade de preços.
O BofA ressalta ainda que a economia brasileira tem mostrado sinais de recuperação, especialmente com a aprovação da reforma da Previdência. Isso traz mais confiança para os investidores e pode estimular a atividade econômica. Além disso, o banco acredita que o corte na Selic pode melhorar as condições de financiamento e estimular a demanda por crédito, impulsionando o crescimento da economia.
Apesar de ser uma visão otimista, o BofA não é o único a acreditar em um corte na Selic nesta quarta-feira. Outras instituições financeiras também têm defendido essa possibilidade, como o Credit Suisse e o Goldman Sachs. No entanto, há quem acredite que o BC ainda possa esperar mais um pouco para iniciar o ciclo de queda da taxa básica de juros.
De qualquer forma, é importante lembrar que o BC sempre leva em consideração diversos fatores antes de tomar sua decisão. Além da inflação, também são levados em conta o cenário externo, as







