Candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda e pelo PCP dizem “não” ao apelo do secretário-geral do Partido Socialista.
Nas últimas semanas, temos acompanhado de perto as movimentações políticas em Portugal, especialmente no que diz respeito às eleições autárquicas que se aproximam. E uma das notícias que tem gerado mais discussão é o “não” dos candidatos apoiados pelo Bloco de Esquerda (BE) e pelo Partido Comunista Português (PCP) ao apelo do secretário-geral do Partido Socialista (PS), António Costa.
O apelo de Costa, feito durante a Convenção Autárquica do PS, era para que os candidatos dos partidos de esquerda se unissem em torno de uma candidatura única nas eleições autárquicas. No entanto, tanto o BE quanto o PCP recusaram a proposta, afirmando que cada partido deve ter a sua própria candidatura e que a união só seria possível em casos específicos e pontuais.
Esta decisão gerou alguma surpresa e até mesmo descontentamento por parte de alguns membros do PS, que viam na união das forças de esquerda uma forma de fortalecer a oposição ao atual governo de direita. No entanto, os candidatos apoiados pelo BE e pelo PCP explicaram que a sua recusa não se deve a uma questão de rivalidade política, mas sim a uma questão de estratégia e de respeito pela identidade de cada partido.
Para o BE, a decisão de ter candidaturas próprias é uma forma de reforçar a sua presença no panorama político nacional e de dar voz às suas propostas e ideias. Segundo o partido, a união com o PS em algumas autarquias poderia levar a uma diluição das suas ideias e a uma perda de identidade. Além disso, o BE acredita que a diversidade de candidaturas é benéfica para a democracia e para o debate político.
Já o PCP defende que a sua recusa ao apelo de Costa é uma forma de manter a coerência com a sua estratégia política. O partido sempre defendeu a sua autonomia e independência em relação ao PS e, segundo os seus candidatos, isso não mudará nas eleições autárquicas. Além disso, o PCP acredita que a união com o PS poderia prejudicar a sua relação com os seus eleitores e com as suas bases.
Apesar da recusa ao apelo de Costa, tanto o BE quanto o PCP afirmam que estão abertos a alianças pontuais com o PS em algumas autarquias, desde que sejam respeitadas as identidades e as propostas de cada partido. Esta posição é reforçada pelo facto de que, em algumas autarquias, o BE e o PCP já têm acordos com o PS, como é o caso de Lisboa e de Setúbal.
É importante destacar que esta recusa ao apelo de Costa não significa uma rutura entre os partidos de esquerda. Pelo contrário, o BE e o PCP têm mantido uma relação de diálogo e de cooperação, como ficou evidente nas negociações para a formação do atual governo. Além disso, ambos os partidos têm mostrado disponibilidade para trabalhar em conjunto em questões que consideram fundamentais para o país, como a defesa dos direitos dos trabalhadores e a luta contra a precariedade.
É também importante lembrar que a decisão dos candidatos apoiados pelo BE e pelo PCP não significa que estes partidos sejam oposição ao PS. Pelo contrário, o BE e o PCP têm apoiado algumas medidas do atual governo, como a reposição de direitos e rendimentos, mas também têm sido críticos em relação a outras, como







