O mercado financeiro tem sido marcado por expectativas de cortes agressivos na taxa básica de juros, a famosa Selic. No entanto, o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, tem uma visão diferente. Em meio a um cenário de inflação e estímulos fiscais em um ano eleitoral, Mesquita projeta que a Selic permanecerá em um patamar elevado até o final de 2026. Essa projeção do Itaú está acima da média do mercado, o que tem gerado debates e questionamentos sobre os possíveis impactos dessa decisão.
Para entender melhor essa perspectiva, é importante compreender o papel da Selic na economia brasileira. A taxa básica de juros é definida pelo Banco Central e serve como referência para as demais taxas de juros praticadas no país. Ela é utilizada como uma ferramenta para controlar a inflação, que é o aumento generalizado dos preços. Quando a inflação está alta, o Banco Central tende a aumentar a Selic para desacelerar o ritmo de crescimento dos preços. Por outro lado, quando a inflação está baixa, o Banco Central pode reduzir a Selic para estimular a economia.
No início de 2020, a Selic estava em 4,25% ao ano, o menor patamar da história. Com a pandemia do coronavírus e seus impactos econômicos, o Banco Central iniciou um ciclo de cortes na taxa básica, chegando a 2% ao ano em agosto de 2020. No entanto, com a retomada da economia e o aumento da inflação, o Banco Central iniciou um ciclo de alta na Selic, chegando a 5,25% ao ano em setembro de 2021. Essa elevação da taxa básica tem como objetivo conter a inflação, que já ultrapassou o teto da meta estabelecida pelo governo.
Diante desse cenário, o mercado tem apostado em uma continuidade dos cortes na Selic, chegando a um patamar de 6,25% ao ano no final de 2026. No entanto, a projeção do Itaú vai na contramão dessa expectativa, prevendo que a Selic permanecerá em 7% ao ano até o final do próximo ano. Para Mesquita, essa decisão se deve a dois fatores principais: a inflação e os estímulos fiscais em um ano eleitoral.
A inflação tem sido um dos principais desafios da economia brasileira nos últimos meses. Com o aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis e da energia elétrica, a inflação acumulada em 12 meses já ultrapassa 10%. Essa alta nos preços tem impactado diretamente o poder de compra da população, principalmente das famílias de baixa renda. Além disso, a inflação também afeta os investimentos e a confiança dos empresários, que precisam lidar com custos mais altos em suas atividades.
Outro fator que influencia a projeção do Itaú é o cenário político-econômico do país. Com a proximidade das eleições de 2022, é comum que os governantes aumentem os gastos públicos para conquistar o eleitorado. Esse aumento dos gastos pode gerar pressão inflacionária e dificultar o controle da inflação pelo Banco Central. Além disso, a incerteza política também pode afetar o mercado financeiro, gerando volatilidade e impactando os investimentos.
Diante desses fatores, o Itaú projeta que a Selic permanecerá em um patamar elevado até o final de 2026. Essa decisão pode gerar alguns impactos na economia, como o aumento dos custos de financiamento para empresas e consumidores, o desestímulo ao consumo e aos investimentos







