Nos últimos anos, o avanço da tecnologia de inteligência artificial (IA) tem trazido inovações e facilidades para nossa vida cotidiana. Porém, ao mesmo tempo, também tem trazido preocupações e debates sobre seus impactos na sociedade. Um tema que tem ganhado destaque nesses debates são os deepfakes sexuais, montagens de vídeos pornográficos criados a partir da tecnologia de IA, utilizando rostos de pessoas reais sem o consentimento delas. Recentemente, diversas mulheres descobriram que suas fotos das redes sociais foram usadas nessas montagens e estão pressionando por leis mais rígidas contra o abuso dessa tecnologia.
O termo “deepfake” é uma combinação das palavras “deep learning” (aprendizado profundo) e “fake” (falso). Essa técnica consiste em criar vídeos falsos utilizando algoritmos de IA, que são capazes de aprender e imitar características faciais e de voz de uma pessoa. Com isso, é possível criar vídeos realistas em que uma pessoa aparece fazendo ou falando algo que nunca fez ou disse.
Inicialmente, os deepfakes eram utilizados principalmente para criar vídeos de celebridades e políticos. Porém, recentemente, tem se popularizado o uso dessa tecnologia para criar vídeos pornográficos. E o uso mais preocupante é quando são utilizadas fotos de pessoas reais, geralmente mulheres, sem o seu consentimento.
É o que vem acontecendo com diversas mulheres ao redor do mundo. Elas descobrem que suas fotos foram utilizadas em deepfakes pornográficos e são expostas de forma humilhante na internet. As consequências são devastadoras, afetando a saúde mental, a reputação e até mesmo a segurança dessas mulheres. Além disso, muitas delas relatam sentir-se violadas e sem controle sobre sua própria imagem.
Uma pesquisa realizada pela organização Cyber Civil Rights Initiative mostrou que, entre 2019 e 2020, houve um aumento de 131% nos casos de deepfakes sexuais relatados. E a tendência é que esses números continuem a crescer se medidas efetivas não forem tomadas.
A principal preocupação é que esses vídeos possam ser utilizados para fins de chantagem e extorsão. Além disso, eles podem ser compartilhados em plataformas pornográficas sem o consentimento da pessoa envolvida, o que configura um crime virtual. Porém, muitas vezes, é difícil identificar e responsabilizar os criadores desses vídeos, pois eles podem ser criados anonimamente e compartilhados em redes sociais e fóruns obscuros.
Diante desse cenário, mulheres ao redor do mundo têm se unido e pressionado por leis mais rígidas contra o abuso dessa tecnologia. No Brasil, por exemplo, foi sancionada em 2020 a Lei 13.718/18, que criminaliza a divulgação de cenas de estupro e de imagens, vídeos ou qualquer material com conteúdo sexual sem o consentimento da pessoa envolvida. Porém, é necessário avançar ainda mais e criar leis específicas que abordem os deepfakes sexuais.
Além disso, é importante conscientizar as pessoas sobre os riscos e danos causados por essa tecnologia. É preciso entender que o uso de deepfakes pornográficos é uma forma de violência contra a mulher e deve ser combatido. É fundamental que a sociedade se una em prol da proteção das mulheres e da punição dos responsáveis por esses atos.
Algumas iniciativas já estão sendo tomadas para enfrentar esse problema. Empresas de tecnologia, como o Facebook e o Twitter, estão desenvolvendo ferramentas de detecção de deepfakes e trabalhando em parceria com organizações de defesa dos direitos das mulheres. Além disso, algumas plataformas pornográficas estão se comprometendo a remover esses vídeos quando são identificados, mas






