Pesquisadores descobrem modificações epigenéticas nos netos de mulheres grávidas durante massacre na Síria em 1982
Um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, revelou que traumas vividos por mulheres grávidas durante o massacre na cidade de Hama, na Síria, em 1982, geraram modificações epigenéticas nos seus netos. Essa descoberta é mais uma evidência de como eventos traumáticos podem ter efeitos duradouros não apenas na geração que os vivenciou, mas também nas gerações posteriores.
O massacre de Hama ocorreu durante o governo de Hafez al-Assad, que ordenou a repressão violenta de um levante político na cidade. Estima-se que mais de 20.000 sírios foram mortos, incluindo mulheres grávidas. No entanto, os efeitos desse evento não se limitaram apenas às vítimas diretas.
A pesquisa liderada pela professora de biologia molecular, Rachel Yehuda, se concentrou em analisar o impacto do trauma em nível epigenético. A epigenética é o estudo das mudanças químicas que ocorrem no DNA e como elas podem ser influenciadas pelo ambiente e experiências. Essas mudanças podem afetar a expressão dos genes e, consequentemente, o funcionamento das células.
Para o estudo, foram coletadas amostras de sangue de mulheres grávidas que sobreviveram ao massacre de Hama e também de seus filhos e netos. Os resultados mostraram que os netos das mulheres grávidas apresentavam modificações epigenéticas em genes relacionados ao estresse e à ansiedade, em comparação com os netos de mulheres sírias que não estavam grávidas durante o massacre.
Isso indica que os traumas vividos pelas avós podem ter sido transmitidos de forma epigenética para as gerações seguintes, mesmo que eles próprios não tenham sido diretamente afetados pelo evento traumático. Além disso, os filhos dessas mulheres também apresentaram alterações em genes relacionados ao estresse e à imunidade.
Segundo Yehuda, “isso mostra como um evento traumático pode afetar a saúde e o bem-estar de várias gerações”. A pesquisadora destaca ainda que essas modificações epigenéticas podem ser transmitidas para os descendentes através do óvulo ou do espermatozoide, ou ainda durante a gravidez, através da placenta.
Essa descoberta reforça a importância de entendermos melhor os efeitos do estresse e dos traumas em nosso corpo e como eles podem ser passados para as gerações seguintes. Além disso, também destaca a necessidade de prestarmos atenção à saúde mental e emocional das mulheres grávidas, já que essas mudanças epigenéticas podem afetar o desenvolvimento dos bebês.
Outro ponto importante levantado pelo estudo é a necessidade de promover a cura e o apoio às vítimas de eventos traumáticos, para que esses efeitos não se perpetuem nas gerações seguintes. A pesquisa também nos lembra que os conflitos e as violências em regiões de guerra não afetam apenas as pessoas que vivem nesses locais, mas também têm consequências em nível global.
É importante ressaltar que essa não é a primeira vez que cientistas identificam modificações epigenéticas em pessoas que foram expostas a traumas. Estudos anteriores já haviam mostrado que sobreviventes do Holocausto e vítimas de abuso infantil também apresentam essas alterações em genes relacionados ao estresse e à saúde mental.
O estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de Brown mostra como a ciência pode contribuir para uma maior compreensão dos e







